ENCONTRO MARCADO    
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NELSON MOTTA

Sou um falso carioca de 63 anos, nascido em São Paulo, pai de três filhas e avô do Joaquim, Antônia e Marina. Na carteira profissional sou jornalista, mas também me registro nos hotéis como produtor artístico e, de uns tempos pra cá, como escritor. Mas sempre admirei Julio Barroso, que escrevia nas fichas: "poeta". Não, não sou um poeta, apenas um letrista de música popular, que se considera entre os médios, com algumas coisas muito boas – como Como uma onda (com Lulu Santos), O Cantador (com Dori Caymmi), Perigosa (com Rita Lee), Você Bem Sabe (com Djavan) e Coisas do Brasil (com Guilherme Arantes) – e uma grande quantidade de regulares e ruins.

Escrevi treze livros, cinco chegaram ao primeiro lugar na lista de mais vendidos, Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia, Ao som do mar e à luz do céu profundo – que considero o meu melhor -, Noites Tropicais, Confissões de um torcedor e Nova York é aqui, todos pela editora Objetiva. Um deles fracassou nas vendas, mas tem coisas bem interessantes, Sobras completas (Editora Nova Fronteira, 1984), outros dois são mais ou menos, Brasil F.C. (Editora Nova Fronteira, 1982) e Memória musical (Editora Sulina, 1989). E um é, digamos, meio vergonhoso, o primeiro, O piromaníaco (de contos, Editora Rocco, 1979), graças a Deus esgotado e perdido para sempre... Meus maiores sucessos literários são Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia, com mais de 130 mil cópias vendidas e Noites Tropicais, com 80 mil.

Dirigi shows no Brasil e no exterior e produzi discos de Elis Regina, Frenéticas, Gal Costa, Elba Ramalho, Marisa Monte, Sandra de Sá, Leila Pinheiro, Simone, Daniela Mercury. Já fui casado com a consultora de marketing Adriana Penna, Costanza Pascolato, Marília Pêra e Mônica Silveira, que merecem meu respeito e admiração. Tenho três filhas, Joana (com Mônica), Esperança e Nina Morena (com Marília). Joana é produtora, seríssima, e me deu meus três primeiros netos. Esperança é produtora de cinema e publicidade e Nina Morena é atriz, que morou seis anos comigo em Nova York, se formou no Lee Strasberg Institute, e está iniciando sua carreira no teatro e na televisão no Brasil. As três irmãs se amam muito e se dão muito bem, completamente diferentes que são entre si. É o que a vida me deu de melhor: as filhas.

Me considero, e agradeço constantemente a Deus por esta graça, basicamente uma pessoa de muita sorte, algum talento e muito trabalho. Sou sério, levo a vida e as pessoas (e os bichos) a sério, embora tenha a felicidade de ter um temperamento alegre. Sou alegre como um Escorpião pode ser. E o mais leve que posso. Sou também um homem de fé, sempre fui: em idéias, ideais, em pessoas, em milagres, em graças, em santos e entidades, em Deus. Mas não sou pessoa de igrejas, partidos, facções, busco a harmonia entre os contrários, detesto quando meus amigos brigam entre si, gosto de apaziguar, aproximar, acalmar. Nunca briguei com ninguém com quem trabalhei, muito pelo contrário. Não vou fazer uma lista de amigos para não provocar inveja, mas só o que pude desfrutar da arte, carisma, talento, inteligência, humor, intimidade e afeto de Vinicius, Glauber, Nelson Rodrigues e Paulo Francis já me enche o coração de alegria e gratidão. Aprendi muito com muita gente, continuo aprendendo, e agora ensino um pouco sempre que pedem e precisam; porque sempre fui muito ajudado, por meu pai, meu avô, meus tios, parentes, amigos e colegas. E até por desconhecidos. Então gosto, tenho prazer (e o dever, acho) de ajudar.

Não sou uma pessoa competitiva, aliás, não gosto nada da idéia de ganhar alguma coisa de alguém, mas detesto a de perder. Gosto de fazer bem feito, bonito. Acho que se conseguirmos divertir, alegrar, emocionar, consolar as pessoas, já está de bom tamanho. Mas já sonhei muito, já sofri, e me frustrei, e aprendi, e não tento mais mudar o mundo, nem me preocupo em convencer ninguém de coisa alguma: acredita quem quiser. Eu dou minhas impressões, digo o que sinto, mas penso, penso muito antes: se posso resolver amanhã não resolvo hoje.

Sou um baixinho simpático, educado, que gosta de ser cordial e gentil, sempre que possível. Mas não sou bobo e sei me defender muito bem quando necessário. Gosto muito de ficar sozinho, mas adoro boa companhia, bom humor, generosidade, me divirto e tenho carinho especial por malucos e doidões (de vez em quando) e sou viciado em beleza. E em João Gilberto, que ano passado nos presenteou com shows espetaculares no Rio, São Paulo e Salvador.

Gosto muito de Roma, onde morei três anos, e Nova York, onde morei oito anos e fui comentarista do programa Manhattan Connection, transmitido no Brasil e Portugal. Em 2001 voltei a morar no Brasil, precisamente na praia de Ipanema, onde estão as pessoas e paisagens que mais amo e as maiores belezas do meu mundo. Escrevi semanalmente para a Folha de São Paulo de 2004 até 2008 e atualmente sou colunista dos jornais O Globo e O Estado de São Paulo. Tenho, também, uma coluna cultural no Jornal da Globo, da Rede Globo, toda sexta-feira. Desde 2000 venho fazendo palestras sobre música brasileira, na Universidade de Harvard, em Boston, na Casa de Las Américas, em Madri, na embaixada do Brasil, em Roma, e em quase todas as capitais brasileiras.

Faço músicas em parceria com Ed Motta, Marcos Valle, Guinga, Max de Castro, João Donato, Erasmo Carlos e a garotada do Jota Quest. Também produzo e dirijo shows e eventos musicais, os mais recentes foram os shows Tributo a João Donato e o Orquestra Imperial Canta Tim Maia. Também dirigi o especial da MTV Eletrodoméstico, de Daniela Mercury. Em 2005, foi lançado, pela Editora Lumiar, meu songbook, com 50 músicas em parceria com Lulu Santos, Ed Motta, Djavan, Dori Caymmi, Rita Lee e outros. Tenho um programa de rádio desde 2003, o Sintonia Fina, que toca em diversas rádios do país, onde procuro sempre atrelar qualidade à novidade. Toco de tudo, divulgo músicas, ritmos e artistas de todo canto do Brasil e do mundo, do Rio de Janeiro a Manaus, da Espanha, Turquia, Índia, Itália e por aí vai...