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ALCEU VALEN?A

Alceu de Paiva Valença, filho de Décio e Adelma, nasce no dia 01/07/1946, na Fazenda Riachão, localizada em São Bento do Una, agreste pernambucano, onde vive até os cinco anos de idade. Seu envolvimento com a música começa na infância, através dos cantadores de feira da sua cidade natal. Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês, três dos principais irradiadores da cultura musical nordestina, captados por ele pelos nostálgicos serviços de alto-falante da cidade. Em casa, a formação ficou por conta do avô, Orestes Alves Valença, poeta e violeiro.

Em 1950, com apenas quatro anos de idade, participa de um concurso de interpretação infantil, no Cine Teatro Rex da sua cidade, cantando “É frevo, meu bem”, de Capiba. Recebe a segunda colocação. Em 1952 muda-se com a família para Garanhuns (PE), onde estuda no Colégio Diocesano. Em 1955, a família se instala em Recife. Alceu passa a frequentar o Colégio Nóbrega e, posteriormente, o Padre Félix. Na capital pernambucana, mantém contato com a cultura urbana e ouve a música de Orlando Silva e Dalva de Oliveira, alternando com os primeiros idolos do rock, como Elvis Presley, Little Richard e Ray Charles. Em 1965 ingressa no curso de Direito na Universidade do Recife (PE).

Inicia a carreira artística em 1968, apresentando-se no show Erosão: a cor e o som, com a banda underground Tamarineira Village, que depois se transforma na Ave Sangria. Zé Ramalho toca em sua banda e Elba Ramalho participa do coro nas gravações de seus primeiros discos. Em setembro desse ano participa do I Festival Universitário Brasileiro da MPB, no Rio de Janeiro, com Maria Alice. Em outubro, com Diálogo, integra o I Festival Universitário da MPB (Canto do Norte 68), em Recife.

No ano seguinte, através de um programa de intercâmbio estudantil, participa de conferências na Universidade de Harvard (Boston, EUA). Durante esse período, apresenta-se em praças e escolas, tocando músicas regionais e redescobre seu elo com as raízes nordestinas. Ainda em 1969, as músicas de sua autoria Acalanto para Isabela e Desafio Linda recebem, respectivamente, a primeira e a terceira colocações na fase regional do I FIC, em Recife. A primeira música é eleita para participar do I Festival Internacional da Canção nacional, realizado no Rio de Janeiro.

Forma-se em Direito em 1970. Obtém a segunda colocação no III Festival Universitário de Música Popular Brasileira com Manhã de clorofila. Inconformado com a decisão do júri, devolve o troféu.

No Rio de Janeiro, dá continuidade à sua carreira artística. Em parceria Geraldo Azevedo, compõe diversas músicas de sucessos, entre as quais Caravana, Talismã e Táxi lunar, esta última contando ainda com Zé Ramalho. Participa do V Festival Internacional da Canção com as músicas Fiat luz, baby, Erosão e Desafio Linda. Em 1972, grava seu primeiro disco, Quadrafônico, em parceria com Geraldo Azevedo.

Em 1974 decide voltar para Recife. Nesse ano, apresenta o show O ovo e a galinha, acompanhado do conjunto Os Diamantes. Também atua no filme A noite do espantalho, musical escrito e dirigido pelo compositor Sérgio Ricardo. Grava ainda o primeiro LP individual, Molhado de suor, pela Som Livre. O disco é indicado pelo jornalista e compositor Nélson Motta como o melhor lançamento do ano, sendo considerado por outros críticos uma obra-prima.

Em 1975, apresenta-se com Jackson do Pandeiro, no Teatro João Caetano, no Rio, no Projeto Seis e Meia. No mesmo ano, participa do festival Abertura, na TV Globo, com a música de sua autoria, inspirada em versos do poeta pernambucano Ascenso Ferreira. Em função de sua apresentação, a organização do festival criou o prêmio de Melhor trabalho de pesquisa especialmente para ele.

Ainda em 1975, apresenta o show Vou danado pra Catende, no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, que fracassa em suas primeiras apresentações. Alceu resolve, então, vestir-se de palhaço e, acompanhado de uma charanga, sai pelas ruas da cidade anunciando o show. A partir de então, a lotação do teatro passa a esgotar-se e o show torna-se um sucesso de público.

Em 1977, lança o disco Espelho cristalino e percorre o Brasil em companhia de Jackson do Pandeiro, realizando shows pelo Projeto Pixinguinha. Na segunda metade dos anos 1970, passa a gravar frevos, às vezes em seus discos, outras, na série de discos Asas da América, iniciada em 1979, que passa a divulgar o carnaval de Olinda.

Em 1979, faz uma pequena temporada de shows, intitulada Alceu Valença em noite de au revoir, na Escola de Artes Visuais, no Rio de Janeiro, antes de seguir para uma temporada de shows na França. Em Paris, apresenta-se no Teatro Campagne Première, grava informalmente o disco Saudades de Pernambuco (que permanece inédito no Brasil), percorre algumas cidades européias como Lyon (França), Nyon (Suíça, para participar do Nyon Folk Festival) o interior da Alemanha, além de gravar um show para a RTF (Radio Television Française). De volta ao Brasil, apresenta no Teatro Ipanema, Rio de Janeiro, o show O cantador.

Nos anos 80 lança os discos Coração bobo, Cavalo-de-pau (um marco em sua carreira, destacando os grandes sucessos Tropicana e Como dois animais), Anjo avesso (cuja composição Anunciação torna-se um dos maiores sucessos de 1984, é cantada popularmente como um hino pela volta da democracia ao país). Em 1985, apresenta-se no Rock in Rio (seu show é um dos mais elogiados pela crítica) e grava na Holanda o clipe da sua música Rock de repente.

Gravado ao vivo no Rio de Janeiro em 1988, o show Oropa, França e Bahia é transformado em disco pela RCA e excursiona em diversas cidades brasileiras. No exterior, vai a Paris (França), Stutgart, Munique, Frankfurt, Colônia, Hamburgo (Alemanha) e Viena (Áustria).

Na década seguinte, grava os discos Andar, andar (1990) e Sete desejos (1992) e recebe o Prêmio Sharp de Melhor Música do ano com Pétalas, em parceria com Herbert Azul, do disco Maracatus, batuques e ladeiras (1994). Em 1996, participa com Elba Ramalho, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo da série de shows O grande encontro.

Tem inúmeras músicas incluídas em trilhas sonoras de novelas de televisão e diversos intérpretes da música popular brasileira cantam suas composições, entre os quais Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, MPB-4, Quinteto Violado, Nei Matogrosso e Maria Bethânia.

Em 1998, lança o CD Forró de todos os tempos e apresenta-se ao lado de Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos e Moraes Moreira, no festival de Montreux (Suíça) na noite chamada de Pernambuco em canto: carnaval de Olinda, além de realizar uma turnê pela Europa.

Em 1999, apresenta-se no espetáculo Sérgio Ricardo - 60 anos de carreira, ao lado de, entre outros, Chico Buarque e Elba Ramalho, cantando o poema sinfônico João, Joana sobre texto de Carlos Drummond de Andrade, com arranjo do maestro Radamés Gnattali. O poema é reproduzido em disco no estúdio Alceu Bochino, na Rádio MEC do Rio de Janeiro, editado em 2000..

Em 2002, marcando 30 anos de carreira, realiza dois shows de lançamento do CD De janeiro a janeiro, na Fundição Progresso, no Rio, quando confirma seu exercício contínuo da poesia em várias formas, inclusive a de cordel. No ano seguinte, também no palco da Fundição Progresso, grava seu primeiro DVD ao vivo e participa do show comemorativo dos 45 anos do Trio Nordestino. Em julho, é agraciado com o Prêmio Tim de Música Brasileira na categoria Melhor cantor regional. Apresenta-se, ainda em outubro deste ano, no Canecão Rio, com o show de lançamento do CD e DVD Alceu Valença ao vivo em todos os sentidos.

Em 2004, participa da festa da rádio JB FM, no Claro Hall (RJ) que reúne oito artistas de sete estados do país, privilegiando a música popular do Brasil. Também neste ano é lançada uma coletânea de sua obra.

Em 2005, lança seu 26º disco-solo, em 35 anos de estrada e 58 de vida. Na embolada do tempo, seu primeiro disco de composições inéditas em três anos confirma o estilo que o consagrou, pontilhado por ritmos como a embolada, o baião, a toada, o samba, o maracatu e o frevo, com participação dos metais da Orquestra Spok Frevo de Pernambuco.

Em 2006, entre outros shows no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e turnês pelo Brasil, divulgando o último CD, Alceu faz show da série Encontros TIM, no Circo Voador, recebendo convidados como Silvério Pessoa, Zeca Baleiro, Luiz Melodia e Daúde. Grava e lança, em 2006, o CD Marco zero com participação de Zeca Baleiro, Daúde, Paula Lima, Silvério Pessoa para um público de mais de 140 mil pessoas.

Em 2007, é vencedor do Prêmio TIM de Música Popular Brasileira, na categoria regional - Melhor Disco, com Marco Zero ao vivo, gravado em show no espaço Marco Zero, em Recife e lançado no mesmo ano.

Em 2009, lança, pela gravadora Biscoito Fino, o CD Ciranda mourisca, no qual faz releituras de uma parcela de sua obra, com músicas consideradas por ele como "Lado B". O CD é lançado com uma série de shows pelo Brasil.

Prevê-se que, a partir de novembro de 2009, o filme Luneta do tempo, de Alceu, comece a ser rodado no sertão pernambucano, no município de São Bento do Una, sua terra natal, com filmagens também no Rio Grande do Norte, mais precisamente no Lajedo Soledade, em Apodi. O filme deve estrear em 2010.

Prêmios:

1975 – Vou danado pra Catende, prêmio de Melhor trabalho de pesquisa no festival Abertura da TV Globo
2003 – Prêmio Tim de Música Brasileira na categoria Melhor cantor regional, pelo CD De Janeiro a janeiro,
2007 – Prêmio Tim de Música Popular Brasileira, na categoria regional Melhor disco, com Marco zero ao vivo