ENCONTRO MARCADO    
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ZUENIR VENTURA

Acho que se Zuenir Ventura não existisse, não deveria ser inventado, a exemplo do que disse Balzac da imprensa. Mas os dois existem e, por acaso, um foi cair nos braços da outra. Que se há de fazer? Mas isso foi mais tarde.

Antes, seu pai queria que, a exemplo dele, o filho fosse pintor de parede; sua mãe, que ele estudasse. Fiz as duas coisas, ou melhor, para fazer o que minha mãe e eu queríamos, tive que satisfazer a vontade dele por algum tempo, o tempo de ganhar o suficiente para comprar o uniforme escolar.

Em Nova Friburgo, onde de fato comecei a me entender por gente, se é que me entendo, fiz muitas coisas, além de pintar paredes. Depois de aprendiz de pintor, fui faxineiro de um laboratório de prótese dentária. Em seguida, exerci a mesma função em um bar, o Bar Alemão, até conseguir ingressar no Banco Barra do Piraí como office-boy.

Mas o emprego em que me demorei mais foi o da Camisaria Friburgo, onde tinha várias atribuições: abria a loja de manhã, varria, fazia entregas e, nas horas vagas, atendia no balcão: era o que se chamava de caxeiro, e caxeiro para nenhum freguês botar defeito.

Da Camisaria ao Colégio Cêfel, onde cursava o Científico à noite e, para pagá-lo, ensinava no Primário pela manhã, não foi uma ascenção social, mas uma escalada ou um verdadeiro salto, que acabou me levando ao Rio de Janeiro, onde eu sonhava ir para fazer uma coisa ou outra: jogar basquete no Fluminense, meu time, ou estudar Curso de Letras Neolatinas, da Faculdade Nacional de Filosofia, da antiga Universidade do Brasil.

Como não podia fazer as duas coisas, optei pela segunda e assim me tornei professor de Língua e Literatura. Um desvio nessa carreira, porém, me empurrou para o jornalismo. Quando estava no último ano da faculdade, um professor amigo, Élcio Martins, me levou para trabalhar no arquivo da Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda.

Fui, passei quase um ano recortando jornais e selecionando fotos, e depois "desci" para a redação. A partir desse momento, eu, que nunca sonhara em ser jornalista, e o fui quase à força, não me separei mais da profissão, que é hoje uma segunda natureza.

Mas esse é o capítulo mais conhecido da minha vida, uma obra ainda em curso. Como espero que seja muito longo e pretendo modificá-lo bastante, talvez seja melhor aguardar a versão definitiva depois – bem depois, se Deus quiser.

Por enquanto, fica aqui esse perfil imperfeito e incompleto, tanto quanto o seu sujeito e objeto, este humilde autor.