ENCONTRO MARCADO    
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WAGNER TISO

Gosto de viajar, aliás gosto de tudo que é relacionado com viagens.
Adoro hotéis, aeroportos, estradas...
Adoro a proximidade do mar, me remete a navios, caravelas.
Quando pequeno vivia na estação rodoviária de Três Pontas. Gostava do cheiro de óleo, gasolina e graxa dos ônibus. Até hoje esses cheiros me fazem bem pra cabeça, embora façam mal à saúde. Meu pensamento viaja para aqueles tempos.
Gosto muito dos portos. Quando vivi em Atenas passava grande parte do tempo no porto de Pireus ou nos templos à beira do mar Egeu.
Na Dinamarca, me sinto um viking vendo os barcos típicos dos atracadouros.
Em Portugal fico horas observando os "Rabelos do Porto" e em Lisboa fico à beira do Tejo imaginando as caravelas saindo para aventuras e descobertas. Em Três Pontas, quando vi num álbum de figurinhas um símbolo com uma caravela, tornei-me um vascaíno roxo. O Almirante viajou muito pelos sete mares foi até a Índia (e o Camões estava junto) e isso me encantou.
Mas minha paixão são as estações e os trilhos de trem. Não existe nada mais fantástico, do que viagens de trem. O trem é um fio condutor em minha vida.
Na infância, tirando a furreca do meu avô, só viajava de trem. Sempre com meus pais ia às estâncias de águas minerais: Caxambu, Lambari, São Lourenço e Poços de Caldas que eu achava que era a maior cidade do mundo. Mais tarde com Bituca (M. Nascimento) viajávamos de trem por toda região, eram os "Bailes da Vida" e depois cortei a Europa de trem vorazmente em busca de minhas raízes. Acho que esta coisa de viajar não é só gosto não, é também uma coisa atávica. Aliás não consigo ficar mais de uma semana no Rio, embora aqui seja a única cidade em que eu consiga morar. Não consigo ficar muito tempo dentro de casa. Meu trabalho é muito solitário quando estou em tournée; passo o dia compondo trilhas sonoras, escrevendo arranjos e composições para diversas formações orquestrais e quando o dia termina vou ao boteco tomar café, à padaria, andar na Lagoa com meu amigo Geraldo Carneiro, tomar meu bom vinho no Arlechinno, sair com Giselle, Joana e amigos, ir ao cinema, ao teatro, enfim ir à rua.
Somos, "os Tisos", originários da região do rio Tizsa, nômades que atravessaram a Ucrânia, Hungria, Croácia, Itália, Espanha, norte da África, Serra da Mantiqueira, Três Pontas -Minas Gerais.
Minha vida se divide em duas etapas: a primeira sem rumo e sem a Giselle e a segunda, já com ela presente, em busca do rumo certo.
Vivemos vinte e dois juntos, numa longa parceria de trabalho.
Ela é minha grande amiga, cúmplice e eterna namorada. Cuida da minha carreira com a maior categoria e tudo o que eu consegui devo a sua dedicação. Sou fiel aos queridos amigos e acho que eles são os melhores do mundo em tudo. E tenho o maior amor e carinho por minhas filhas que são talentosíssimas. Joana tem 17 anos, é vascaína como eu e forma com Giselle a dupla feminina imbatível da minha vida. India tem 25 anos, é do primeiro casamento e mora na Bahia. E não sei por quê, talvez por algum mistério, elas adoram viajar. Até "Bonita", minha gata, adora acompanhar a família em meio a malas e cases.