ENCONTRO MARCADO    
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TIZUKA YAMASAKI

"Nasci em Porto Alegre por acaso e fui criada em Atibaia. A minha mãe era filha de imigrantes, o meu pai era japonês. Aventureiro, chegou ao Brasil com 18 anos. Casou com mamãe e teve duas filhas. Quando morreu, eu tinha quatro anos. A minha família é uma espécie de matriarcado. Sozinha, sem um homem na retaguarda para dar uma força, a minha mãe olhou para a gente e disse que fôssemos à luta. O meu avô era uma pessoa frágil, fisicamente. Foi a minha avó que tomou as rédeas da família. (...)
Filha de imigrantes, neta de imigrantes japoneses, criada no interior de São Paulo, uma caipira que veio para a capital depois de passar por Brasília e Rio de Janeiro e que decidiu ganhar o mundo. Se não fosse ambiciosa e não tivesse um pouco de irresponsabilidade e loucura, acho que não conseguiria fazer cinema. A minha trajetória é de uma interiorana que saiu de Atibaia achando que não sabia de nada. E, bem, estou aqui. (...)
Desde pequena sempre rejeitei o casamento. Achava que o casamento podia me trazer o anonimato. Só o fato de a mulher ter que carregar o nome do marido, achava e acho uma violência muito grande. Eu sempre quis ter um nome próprio. Além do mais eu não queria ficar em Atibaia, criando uma porrada de filhos e cuidando de uma casa. Tive apoio da família, da minha mãe, e parti para a luta. Fui para Brasília e fiz um curso de cinema no Instituto Central de Arte, na UnB. Aprendi muito."
Depoimento publicado na revista "Mulher" em 1983

"Eu sou muito impressionado com a intuição da Tizuka, que deve ser o resultado do fato de ser mulher e de ser artista. Outra coisa que me impressiona é que seu trabalho é organicamente ligado à sua cabeça. Gaijin, por exemplo, se refere à sua história. Em Parahyba ela se descobre feminina, mas com reivindicações, uma posição muito singular, porque Tizuka acha que, como cineasta, é beneficiada, ao contrário da maioria das mulheres que se sentem oprimidas por esta condição. Já Patriamada está ligada à época em que trabalhou com Ruth Escobar em defesa dos direitos da mulher. Ela vivia em Brasília, e o filme se aproxima das questões políticas da época das eleições diretas. (...) Podem discutir a realização de todos eles, a qualidade, os defeitos, mas o pensamento e sua obra sempre estiveram muito próximos. Não há distância entre intenção e gesto com Tizuka. Ela me confessou uma vez que sonhava morar num sítio, ter um monte de filhos e fazer um filme de três em três anos. A maternidade é muito importante para ela, mas o que marca Tizuka é o poder de sua intuição.
Depoimento de Alcione de Araújo, publicado no "Jornal do Brasil", em 08/07/89