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SERGIO BRITTO

Sergio Britto é carioca, nascido em 29 de junho de 1923, na Rua da Alfândega. Desde criança sempre foi um apaixonado pelo cinema, aos oito anos de idade freqüentava três sessões semanalmente. Seguindo os padrões da época e um pouco pressionado pela família optou pela carreira médica. Quando estava cursando o quarto ano, na antiga Universidade Nacional da Praia Vermelha (atual UFRJ), foi assistir a um concerto na Escola Nacional de Música e chamou a atenção de Jerusa Camões, do Teatro Universitário, que o convidou para um papel; montaram Romeu e Julieta.

Não abandonou a faculdade, pois no início não se sentia muito seguro como ator, concluindo o curso em 1948. Nessa época, Sérgio Britto atravessava um momento de dúvida: não estava certo de seguir a medicina, mas tinha receio de contá-lo ao pai, e no teatro não sabia muito bem o que fazer. Depois de formado chegou a trabalhar como médico, paralelamente a seu início no teatro. Quatro dias após sua formatura, estreava Hamlet no Teatro Municipal do Rio de Janeiro – indo em seguida para o de São Paulo – com grande sucesso e contracenando com Sérgio Cardoso.

Na capital paulista, após uma apresentação da peça, seu pai protagoniza o momento tão adiado, perguntando-lhe se afinal de contas ele seria ator ou médico. Depois de uma noite em claro, a decisão estava tomada e seu diploma de médico definitivo nunca chegou a ser retirado da Universidade.

Em 1949, ao lado do amigo Sérgio Cardoso, de Ruggero Jacobbi – a quem Sérgio Britto credita grande importância na sua formação, principalmente literária – e mais nove artistas, funda o Teatro dos Doze, a primeira companhia da qual participou. A experiência durou apenas um ano, pois não havia mais verba para a produção. Sérgio ainda retomou o Teatro Universitário, mas logo depois foi convidado por Ruggero para trabalhar em São Paulo.

Aos 27 anos sai da casa dos pais e aceita o convite, passando pela Companhia de Maria Della Costa, pelo Teatro de Arena, chegando depois ao TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, onde trabalhou e tornou-se amigo de Italo Rossi, Natalia Timberg, Fernanda Montenegro.

Desse período o ator destaca uma montagem que seria determinante em sua carreira: Uma Mulher e Três Palhaços, de 1953. Na peça Sérgio fazia um palhaço e o processo de composição do personagem o fez sentir-se um verdadeiro ator pela primeira vez, dando-lhe uma nova orientação e afastando-o do estigma de galã que começava a pesar sobre ele. Essa montagem fez com que a crítica paulistana reconhecesse um salto qualitativo em seu trabalho.

A permanência em São Paulo durou dez anos, até 1959, porém no último ano na capital paulista já se dividia entre o TBC e o programa Grande Teatro na TV Tupi. Esse foi um fato importante em sua vida, considerado pelo ator como uma experiência única. O Grande Teatro ia ao ar às dez horas da noite e não tinha hora para terminar, possuía três estúdios, doze câmeras e era feito todo ao vivo. Sérgio Britto teve a oportunidade de atuar, dirigir e produzir um total de aproximadamente 450 textos teatrais. Na TV, foram seis anos na Tupi, dois na TV Rio e mais um na Rede Globo. A notoriedade obtida com o programa na televisão garantiu, através da venda antecipada de assinaturas anunciadas durante o programa, a existência do Teatro dos Sete, companhia formada em 1959 por Sérgio, Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Italo Rossi e o diretor Gianni Ratto. O Teatro dos Sete durou seis anos e teve muitos momentos marcantes, como a bem sucedida estréia com O Mambembe, de Arthur Azevedo, e mais tarde O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, escrita especialmente para a companhia. Com o seu fim, Sérgio parte para outra experiência, formando com os amigos Fernanda Montenegro e Fernando Torres a empresa Torres e Britto Produções Ltda. Foram três anos de trabalho que só foram interrompidos pela necessidade dos atores de buscar novos caminhos. Nesse sentido, no final da década de 60 e início de 70, o ator trabalhou com vários diretores como Amir Haddad – com quem em quatro peças ganhou três prêmios – Victor Garcia, Jorge Lavelli, Gerald Thomas, Paulo Mamede. Nessa época, inaugurou o Teatro Senac, onde durante sete anos, até 1977, participou de várias montagens importantes, como ator, produtor e diretor.

Em 1978, Sérgio realiza um de seus grandes sonhos: ter seu próprio teatro. Ao lado de Paulo Mamede, Mimina Proveda e José Ribeiro Neto, cria o Teatro dos Quatro, até hoje um dos palcos mais importantes da cidade do Rio de Janeiro, que tem em seu repertório autores como Gorki, Oduvaldo Vianna Filho, Millôr Fernandes, Dario Fo, Tchecov, Shakespeare, Pirandello, Becket, Fassibinder.

Cinemaníaco convicto, a partir da década de 80, Sérgio Britto iniciou a formação de sua videoteca particular. Ao longo dos anos e de viagens ao exterior reuniu uma coleção de mais de 7.000 fitas. A maior parte da coleção é formada por filmes de todas as épocas, mas também há espaço para a ópera, outra paixão do ator. Formou uma espécie de sociedade que chegou a ter 70 participantes e promovia sessões e maratonas cinematográficas de três ou quatro filmes, que inspiraram a peça Baile de Máscara, de Mauro Rasi. Sua paixão pelo cinema não é recente; o ator se lembra do impacto causado pelo primeiro filme falado de Greta Garbo, Anna Christie, em 1930, e se arrepende de não ter podido aceitar o convite de Glauber Rocha para participar de Terra em Transe. Sérgio confessa ainda que adoraria ter sido cineasta, mas o teatro sempre o absorveu quase totalmente.

Em 1993, assume a administração do Teatro Delfim, do qual é responsável pela programação, paralelamente às montagens do Teatro dos Quatro e a uma consultoria prestada à programação dos teatros do Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

O teatro o tem mantido um pouco afastado da televisão, principalmente pela dificuldade de horários e de manter uma participação prolongada. Porém sem impedir importantes atuações em minisséries e participações especiais em novelas.