ENCONTRO MARCADO    
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PAULO MENDES CAMPOS

Por que você escolheu ser escritor?
Paulo Mendes Campos
– Não escolhi. Quando dei por mim, no 1º ano ginasial, estava a escrever um "romance" de aventuras. Durante anos fui pensando: eu não sou um escritor, mas gosto de escrever, e vou continuar escrevendo.

Em que você se baseia para escrever suas histórias?
Paulo Mendes Campos –
Sempre nas coisas que aconteceram, dentro e fora de mim. As coisas mais fantasiosas também de certo modo acontecem.

Se não fosse escritor, o que você desejaria ser?
Paulo Mendes Campos –
Pesquisador, pesquisador de qualquer coisa viva: Medicina, Botânica. Tenho um gosto paciente pela procura, pela comparação, pela classificação, pela pequena vitória e pelo fracasso instrutivo.

Como foi sua infância?
Paulo Mendes Campos –
Boa: pais, irmãos, comida, escola, futebol, leituras. E meio perigosa: gostava das brincadeiras arriscadas.

Na escola você era bom aluno?
Paulo Mendes Campos –
Redação: bom. Gramática: ruim. Línguas: regular. Matemática: péssimo. Ciências: muito bom. Comportamento: abaixo do sofrível.

Quando você estava na escola já escrevia melhor que seus colegas?
Paulo Mendes Campos –
Já.

Seus professores o ajudaram para que você se tornasse escritor? Como?
Paulo Mendes Campos –
No terceiro ano de ginásio, o professor Gilberto Luis de Barros escreveu no meu caderno que eu ainda seria um escritor: isso me ajudou muito.

Você escreve de novo, corrige muito os seus trabalhos?
Paulo Mendes Campos –
Quando escrevo sob encomenda, não há muito tempo para corrigir. Quando escrevo para mim mesmo, costumo ficar corrigindo dias e dias – uma curtição. Corrigir é estar vivo.

Você gosta de futebol? Para que time você torce?
Paulo Mendes Campos –
Amo o futebol desde menino. Minha paixão era jogar futebol. Fui um medíocre aplicado, cheguei a quase craque. Depois de velho, voltei a jogar futebol. Sonho ainda com futebol. Ainda tenho vontade de jogar futebol. Sou botafoguense no Rio e atleticano em Minas.

Além de escrever, o que você gosta de fazer?
Paulo Mendes Campos –
De ler poesia e ensaio e de reler alguns romances. De comer bacalhau. De beber vinho no frio. De ver desenhos antigos. De ouvir samba de morro. De viajar de trem e de avião. De conversar com amigos. De ficar olhando árvores. De não fazer nada.

Entrevista retirada de Para Gostar de Ler – volume 3: Crônicas, editora Ática