ENCONTRO MARCADO    
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GERALDO CARNEIRO

Sobre Folias metafísicas
por Nelson Ascher

"O que Carneiro tematiza no correr do livro é a possibilidade mesma de se fazer poesia hoje no Brasil, uma poesia que seja naturalmente moderna e indiscutivelmente brasileira. A modernidade em questão é buscada não apenas na coloquialidade da fala ou na contemporaneidade das referências, mas sobretudo no modo de organizar cada texto, na maneira de terminá-lo em aberto, numa espécie de inconclusividade programática que dirige a atenção não para uma mensagem qualquer, mas ao modus operandi do poeta. O caráter brasileiro manifesta-se, por sua vez, não na cor local de peculiaridades idiomáticas, mas na procura de um conjunto pertinente de preocupações que, embora familiares, não bajulem as nostalgias provincianas. (...)

Geraldo Carneiro recoloca, com seriedade e humor, a poesia no lugar que lhe cabe – ou seja, no centro das preocupações culturais de uma época que não admite retorno.
"Defesa e ilustração da modernidade". In: "Folias metafísicas". Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.

Sobre Pandemônio
por Silviano Santiago

"O poeta Geraldo Carneiro não existe, ou se existe, ele é a intervenção da memória do mundo: ator do encontro-reencontro-desencontro de pedacinhos de romances, poemas, peças, ensaios, filmes, mpb, pop music, telenovelas, pornochanchadas, falas cotidianas e corriqueiras, mitificantes, mistificadoras, mistificadas. Ele é a confluência narcísica (logo único e possível idioleto poético) na concorrência de discursos da pós-modernidade".
"As flores do tempo". In: "Pandemônio". São Paulo: Art Editora, 1993.

Sobre Piquenique em Xanadu
por Sérgio Sant'Anna

"Poeta radicalmente do seu tempo, Geraldo Carneiro tem passeado – sempre à vontade e com brilhantismo – por outros meios de expressão, como a música (...), o roteiro de cinema e TV, e o teatro (...).

Mas a leitura deste piquenique nos leva à constatação mais óbvia: a de que a poesia é a primeira e última palavra de Geraldo Carneiro, contaminando e deixando-se contaminar por aqueles outros meios de expressão. Com perdão da má palavra, percorre todo este livro, de muitas leituras (na medida crescente da sofisticação do leitor), a intertextualidade, que tanto se revela através de pactos sinistros com o cinema e a teatralidade (...)".
"Apresentação". In: "Piquenique em Xanadu". Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1988.