ENCONTRO MARCADO    
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GERALDO CARNEIRO

Não sei quais seriam minhas raízes. Talvez eu me filie à linhagem dos debochados da história da poesia, meia-dúzia de latinos, ingleses e franceses, sempre considerados poetas menores. Esses meus prováveis mestres se comprazem em desconstruir a poesia, em vez de construí-la. Ultimamente tenho descoberto em mim uma inesperada vocação para o lirismo quase descabelado, e até para arroubos épicos. Em suma, não sei quem sou. E, para piorar, não sei de onde venho, nem para onde vou. Mas às vezes acredito em Deus, embora não saiba se a recíproca é verdadeira. (...)

Acho que o ato da criação é sobretudo uma revolta demiúrgica. Somos pigmeus que nos insurgimos contra as regras impostas por deuses desconhecidos. E eu, particularmente, enquanto me sentir incapaz de inventar outro mundo, perseverarei no vício solitário de escrever.

Entrevista com Geraldo Carneiro. In: "Poesia Viva". Rio de Janeiro, ano 4, nº13, abr.98.