ENCONTRO MARCADO    
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NÉLIDA PIÑON

Comecei a escrever menina ainda, lendo os livros que me davam, inventando os que eu não tinha à mão. Inventar é uma saga antiga, precedeu-me antes do nascimento.

Não saberia, pois, inventariar o meu passado, a minha mitologia pessoal. Dizer com que farinha e imaginação engrossou suas histórias, o trato com as coisas, com as palavras. De que abrigo secreto saiu a escritora que ansiava por abarcar os seres e o seu enigma. Movida sempre pelo afã de rejeitar qualquer resumo, aqueles enredos onde não coubesse a vida do vizinho. Uma vez que o mundo sendo forte e abundante, não se podia medi-lo com economia.

Já na infância pressenti ser o homem uma entidade inabarcável. E que o universo da imaginação, além de destilar frutas, sementes, emoções, idéias, alcança igualmente a quarta dimensão do real. Era mister desorganizar o quotidiano para aprofundar-se na aventura humana. Para tratar com esta matéria ígnea, que reside no coração dos homens.