ENCONTRO MARCADO    
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MÁRIO PRATA

Apelido

"(...) Um dia o Zefirelli, o diretor de cinema, estava em Portugal e foi visitar uma amiga numa elegante quinta (provavelmente numa sexta). Ao ser recebido pelo mordomo, se anunciou: Zefirelli. O mordomo procurou a patroa e disse o apelido dele: está aí o senhor José Firelli. Ela respondeu: não é senhor José Firelli, é senhor Zefirelli. E o mordomo retrucou: isso para a senhora que é íntima. Para mim, é senhor José Firelli. Zefirelli é o sobrenome. E, por falar nisso, há uma lei dizendo os nomes que podem ser dados às pessoas que nascem em Portugal. São pouquíssimos os nomes. Por isso, todos são Manuel, Joaquim, Antônio, José, Luiz, Nuno, Vasco, Paulo, Fernando e mais uns dois ou três. E as mulheres são todas Maria. Maria alguma coisa, mas sempre Maria. Em dois anos morando em Portugal, conheci seis Antônio Reis (dois deles irmãos), quatro Fernando Gomes, três Francisco Manso e dezessete Maria João. (...)"
Schifaizfavoire, p. 17-8

Você é um envelhescente?

"(...) SE VOCÊ tem entre 45 e 65 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira.
Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correto. Esqueceram de nos dizer que entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e os 65), existe a ENVELHESCÊNCIA.
A envelhescência nada mais é que uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade. Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente, assim da noite para o dia. Não. Antes, a envelhescência. E, se você está em plena envelhescência, já notou como ela é parecida com a adolescência?
Coloque os óculos e veja como este nosso estágio é maravilhoso:
Já notou que andam nascendo algumas espinhas em você? Notadamente na bunda? (...)
Daqui a alguns anos, quando insistirmos em não sair da envelhescência para entrar na velhice, vão dizer: é um eterno envelhescente! Que bom, é o máximo, é o fim! (...)"
Filho é bom mas dura muito. Crônicas. pp.201-3