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LUIZ CARLOS MACIEL

Geração em Transe

" (...) Mas a Geração em Transe é, antes de tudo, obra memorialística. Maciel conviveu com Glauber, Zé Celso e Caetano. Tem histórias a contar sobre eles. E muitas vezes essas histórias vão além da mera curiosidade para fãs. Esclarecem a obra, quando não certas atitudes dos artistas. O depoimento de Maciel é particularmente rico no caso de Glauber Rocha, de quem foi amigo mais chegado que dos outros dois."
Luiz Zanin Oricchio, "O ensaísta Luiz Carlos Maciel avalia o legado de sua geração," O Estado de São Paulo, Sep. 1, 1996.


Rio-Brasil por aí

"Maciel é um dos poucos jornalistas que sabem escrever. É taoísta, leu Wilhelm Reich, Marcuse, Norman Mailer. (...) Maciel é muito generoso, tem um bom humor infeccioso e é a pessoa, do nosso meio, menos maliciosa que conheci. Dá, por exemplo, enorme importância ao tropicalismo. Comenta com sátira leve o realismo crítico de Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder.
Há pouco de pessoal no livro. Estivemos juntos na cadeia. Discutimos a cultura vigente, para mim, intragável, indigerível, tendo terminado no modernismo, ao que Maciel argumentava que não podia viver no passado. No livro, Maciel capta a extraordinária volatilidade de Glauber Rocha, como Terra em Transe bagunçou o coreto lukacsiano-caboclo do realismo crítico, e sua exposição do potencial de Glauber é a melhor que já vi. Maciel, ator, diretor, homem de teatro, vai dirigir Jango, um texto teatral de Glauber. Mesmo quando ele me irritava, nunca o achei desinteressante. Seu livro é a melhor exposição dos sixties, a favor, que temos em português. Nos tempos de O Pasquim, escrevia uma coluna semanal, Underground, Udigrudi. Tinha muitos fãs.
Acho que tudo isso acabou e vamos morrer de tédio, mas talvez eu confronte pela força a direção do real, o que Maciel considera um erro. Nossos pensamentos não podem tomar a frente do processo, ou Tao (parafraseio). Waal, veremos."
Paulo Francis, Estado de São Paulo, Aug. 15, 1996.


Tempos Idos e Vividos

"Luiz Carlos Maciel consegue conjugar a leveza e a agilidade do estilo jornalístico com uma linguagem racionalista e articulada, o que lhe permite um aprofundamento de discussões incomuns nesse tipo de texto, de consumo mais relaxado. Desde Nova Consciência, em que reunia artigos de divulgação da contracultura no Brasil, escritos para a imprensa entre 1970 e 1972, a marca mais forte de sua contribuição é por certo o emprego que faz dessa linguagem na análise de temas normalmente desdenhados pela intelectualidade padrão, aqui e lá fora, ou tratados como bens de consumo rápido pela mídia: cultura "underground", cultura popular, arte de vanguarda nacional, etc., temas tidos mais freqüentemente como produtos intelectuais secundários ou inconseqüentes do que como material fecundo e precioso, às vezes ainda em bruto, indícios de novas revoluções.
Em Geração em Transe – memórias do tempo do tropicalismo (Nova Fronteira, 1996), o Cinema Novo, a música popular e o teatro alternativo são seus temas. Maciel consegue dar um depoimento direto e vivo dessa época "quente" da cultura brasileira que se iniciou em meados dos anos 60. Retrata um processo cultural conturbado e denso, instaurado por uma geração especialmente ativa, que dava as suas respostas às questões do seu tempo antenada com os mais radicais movimentos artísticos e filosóficos em vigor no mundo de então. Aqui, pressionada politicamente por vários lados, estimulada por muitas seduções e repleta de sonhos mirabolantes, essa geração desbundada, niilista e contrária por princípio a tudo que vinha da antiga e obsoleta moral burguesa determinou rumos inesperados à nossa História e ajudou a pensar melhor sobre o Brasil.
O autor vai desfiando a meada como quem pretende apenas dar um depoimento memorialista. Mas o livro sai como um romance filosófico construído a partir da vida intensamente elucubrativa de quatro personagens: Glauber Rocha, José Celso Martinez, Caetano Veloso e o próprio Luiz Carlos Maciel.
(...) Maciel viveu de perto os acontecimentos ebulientes dos anos 60 e 70, foi parte ativa do processo e, portanto, corria o risco de dar um depoimento com a vista escurecida pelas emoções dessa participação. Mas seu livro não está contaminado pelo vírus da injusta benevolência nem pelo veneno da iníqua severidade. A imparcialidade e a lucidez são marcas de um relato vigoroso em que se percebe ainda a fidelidade aos princípios de tempos idos e vividos. Em boa dosagem."
Eduardo A. Garcia, 1996.