ENCONTRO MARCADO    
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LUIZ CARLOS LACERDA

Em 1945, no dia em que nasci, meu pai, o produtor de cinema João Tinoco de Freitas, estava filmando a chegada dos pracinhas da guerra.

Aos 19 anos, poeta com livros publicados e militante do PC, fui convidado pelo cineasta Ruy Santos para ser seu assistente no longa Onde a Terra começa. Mas a paixão pelo cinema veio com o mestre Nelson Pereira dos Santos, de quem fui assistente (El Justiceiro, Fome de Amor, Azyllo Muito Louco, Como era gostoso o Meu Francês, Quem é Beta? e O Amuleto de Ogum).

Ele foi tema de um de meus curtas, que eu realizava entre seus filmes e de outros diretores como Roberto Pires e Jurandyr Noronha.

Dediquei meu trabalho a temas da cultura brasileira. Os escritores Lúcio Cardoso, Cecília Meirelles, Walmir Ayala e Mário Faustino; os compositores João da Bahiana e Ernesto Nazaré: os artistas plásticos Ângelo Agostini, Vatenor, Júlio Paraty, Antonio Parreiras, Quirino Campofiorito; o humorista Barão de Itararé, os Trilhos Urbanos de Santa Teresa; as brigas de galos e os acendedores de lampiões de Paraty; O MAM (Museu de Arte Moderna) e o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).

Meu primeiro longa foi uma adaptação livre do romance Mãos Vazias, de Lúcio Cardoso, com minha amiga Leila Diniz de estrela. Mergulhei na onda psicodélica e depois na psicanálise com Eduardo Mascarenhas, que me levaria ao segundo longa, O princípio do Prazer, uma tragédia erótica e freudiana.

Publiquei poesia em antologias; escrevi no primeiro jornal gay Lampião e Maria Bethania, disse um poema meu no show Drama, que virou disco.

Num longo período fui produtor executivo de diversos diretores (Mário Carneiro, Fábio e Bruno Barreto, Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, Walter Lima Jr., Gustavo Dahl, Antonio Carlos Fontoura, Oswaldo Caldeira, Hugo Carvana e Sérgio Rezende) e de novelas da TV Globo.

Escrevi diversos roteiros que continuam inéditos (adaptei os romances Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade; O bom Crioulo, de Adolfo Caminhas; os originais Tesouro da Juventude e Surfista de Trem, e um conto de Clarice Lispector em parceria com a escritora) e em 1987 realizei Leila Diniz, um filme premiadíssimo e sucesso de público.

Em 92/93 fui produtor da Escola Internacional de Cinema, em Cuba, a convite de Ney Soulevich. Na volta ao Brasil, o reencontro com a direção: For all, o trampolim da Vitória, que levou os principais prêmios de Gramado 97.

Atualmente supervisiono o longa Conexão Brasil, do Núcleo Audiovisual de Cascavel (PR); o desenho de produção da série Casa Grande e Senzala, de Nelson; e desenvolvo o roteiro Viva Sapato!, uma idéia minha e do ator cubano Jorge Perugorria, que pretendo filmar.