ENCONTRO MARCADO    
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FERREIRA GULLAR

"O pós-modernismo de 45 raiado de veios existenciais, a poesia concreta e neoconcreta, a experiência popular-nacionalista do CPC, o texto de ira e protesto ante o conluio de imperialismo e ditadura, a renovada sondagem na memória pessoal e coletiva (...) são todos momentos de uma dialética da cultura brasileira de que Ferreira Gullar tem participado como ator de primeira grandeza".
Alfredo Bosi, "Roteiro do poeta". In: "Os melhores poemas de Ferreira Gullar". São Paulo: Global, 1983.

"Ferreira Gullar não faz poesia. A Poesia faz Ferreira Gullar. (...) A poesia genuína, murmúrio do ser às bordas do nada é, na realidade, raríssima, precisamente porque os versejadores inventam poemas, sempre movidos por solicitações exógenas, em vez de deixarem o poema implodir como um ato de alumbramento interno. Esse ato se cristaliza na carnação da palavra, contraída em si mesma, centrada no seu próprio corpo. O canto poético não se realiza na pletora da linguagem, nos derramamentos verbais, na inflação discursiva, antes numa espécie de despojamento que lembra a operação do lapidário que desbasta o mineral para, sob a sua aparente vida inorgânica, encontrar as palpitações que só ele sabe ouvir. Gullar procede como o escultor que transfere a pedra, ente do reino natural, para o reino da cultura, onde ela, mercê de seu trabalho, assume a dignidade de obra de arte".
Franklin de Oliveira, "Itinerário de um poeta". In: "Toda poesia". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.

"(...) em Gullar a voz pública não se separa em momento algum de seu toque íntimo, de seu timbre pessoal, de esperanças e desesperanças, das recordações da infância numa cidade azul, evocada no meio de triste exílio portenho".
Sérgio Buarque de Holanda, "Apresentação". In: "Toda poesia". Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.

Sobre A luta corporal
por Glauber Rocha

"O maranhense e descendente de Gonçalves Dias e Sousândrade publicou Luta corporal, violento, desesperado e desagregador livro de poemas que subverteu o Império Formalista de 45 (...).
Maldito – naquela linha douda de Rimbaud ou de Artaud ou de Augusto dos Anjos – Gullar ateava papo às ventas, carnes, cortava veias e o sangue jorrava com as grandezas e as misérias de um Terceiro Mundo que pulsava debaixo das vitrines do juscelinismo".
In Folha de S.Paulo. Folhetim, 20/03/77.