ENCONTRO MARCADO    
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JOSÉ LOUZEIRO

Um estreante e o conto
"Temos que reconhecer em José Louzeiro, na base da linguagem que aciona criaturas humanas, movimenta episódios interiores, engendra atmosfera e impõe uma representação, o ficcionista que se robustece na segurança do escritor. (...)

O estreante conseguiu conciliar o intimismo com a arquitetura – sem prejudicar a temática no esquartejamento episódico – a estabelecer a ação em uma dimensão própria ao conto. (...)

José Louzeiro não deixa ficar apenas mais uma contribuição para que se retire o conto da posição marginal no círculo crítico. Deixa ficar um livro. E um livro com lugar certo no movimento editorial do ano passado."
Adonias Filho. Jornal do Comércio, 08/02/59.

"O primeiro desses livros é a estréia de José Louzeiro com "Depois da Luta", volume de doze contos trabalhados dentro de um estilo de características próprias, onde a preocupação por uma linguagem renovada, revalorizada, está presente em todas as páginas. Ao lado da pesquisa puramente estrutural, Louzeiro usa uma técnica em seus trabalhos que não poderíamos aproximar imediatamente de nenhuma das costumeiras influências estrangeiras em nossos escritores mais jovens. Se o subjetivismo é a base de sua ficção, a atmosfera poética de tom mórbido, a precisão vocabular surge, quase seca, para afastar o evanescente mansfieldiano apoiado num descritivo psicológico por vezes indispensável. Tampouco José Louzeiro é um kafkaniano. "O Acusado", um dos contos da sua coletânea, a que poderíamos atribuir nuances do autor de "A Metamorfose", é elaborado dentro de uma visão fábula-realidade, sem recorrência à simbologia. Tchecov lhe pode ter emprestado o que todo contista moderno deve ao escritor russo: a feição moderna do conto breve, incisivo, um corte transversal de uma situação importante da vida. Saroyan está longe de ter influenciado José Louzeiro, pois os contos do escritor maranhense amargo, cético, por vezes assumindo uma posição indiferente na existência, se chocariam com o sentimento lírico, mesmo com o sentimento trágico, mas de aceitação sem angústia, dos trabalhos do escritor norte-americano. "Depois da Luta" foi o melhor lançamento do ano."
Assis Brasil – A ficção nacional em 1958. Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, 17/01/59.

"Por essas pequenas amostras da prosa de José Louzeiro, vê-se acentuada marca de originalidade que ele pretende dar à sua forma, distante, já, da tradição norteadora do gênero, entre nós, e aparentemente sem vislumbres de ter sofrido qualquer influência literária, a não ser, decerto, a de Graciliano Ramos."
José Roberto Teixeira Leite – Louzeiro: Estréia Incomum. Leitura – março/abril 1959.