ENCONTRO MARCADO    
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JOSÉ LOUZEIRO

José de Jesus Louzeiro é de São Luís, Maranhão, onde nasceu a 19 de setembro de 1932. Filho de Aproniano Louzeiro e Raymunda de Souza Louzeiro. Começou a trabalhar no jornal O Imparcial aos 16 anos, como aprendiz de revisor. Um ano depois, deixou a revisão e tornou-se "foca", na reportagem de Polícia do mesmo jornal. Veio para o Rio, em 1954, com 22 anos. Trazia no bolso uma carteira de jornalista profissional, mas, sem conhecer a cidade, foi trabalhar na firma alemã Oscar Flues, que vendia máquinas gráficas. Durante o dia ganhava a vida como auxiliar de escritório. À noite estagiava na redação de O Jornal, órgão líder da Cadeia Associada. Em 1956, trabalhou na Cia. Editora Americana, responsável pela circulação da Revista da Semana, na Lapa. Era redator do Departamento de Publicidade. Os corretores traziam as sugestões de como os anunciantes desejavam suas "mensagens", e ele elaborava os textos. Nessa época utilizou o pseudônimo Galeno de Souza.

Em 1958 casou e fez sua estréia literária com a coletânea de contos Depois da Luta, pela Editora Simões. A partir daí, alargaram-se os horizontes jornalísticos. Foi redator em Última Hora, Diário Carioca, Correio da Manhã. No início da década de 60 exerceu a estranha profissão de picture – editor da Enciclopédia Britannica. Apesar da falta de tempo, conseguiu editar o Acusado de Homicídio e um segundo volume de contos Judas Arrependido. Um ano após o golpe militar de 64, lançou, pela Civilização Brasileira, o livro de reportagem intitulado Assim Marcha a Família.

Durante os primeiros anos da ditadura militar, escreveu a biografia de André Rebouças para uma coleção da Editora Tempo Brasileiro. Em 67, desenvolveu o projeto de criação do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, apoiado pelo Jornal do Escritor, com redação na Rua Álvaro Alvim. Seus companheiros de idealismo eram Adonias Filho, Evaristo de Moraes, Rubem Fonseca, Nélida Piñon, Afrânio Coutinho, Homero Homem, Antônio Houaiss e Plínio Doyle. Neste mesmo ano vai a Brasília, pensando logo retornar, mas decidiu aventurar-se em São Paulo. Felizmente a Folha de S.Paulo, onde ficou trabalhando, estava sob a direção de um esquerdista renomado – Cláudio Abramo. Conheceu o secretário da Folha da Tarde, editada no mesmo prédio, que o levou para trabalhar no Diário do Grande ABC, em Santo André. Ficou em São Paulo até 1975.

Antes, muito antes, já havia conhecido Ednalva, que lhe entregava as matérias de Ildásio Tavares, poeta e romancista baiano, para serem editadas no Jornal do Escritor. Apaixonaram-se e resolveram viver juntos. Quando retornou ao Rio, em 75, começou a escrever livros regularmente. O primeiro seria Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, adaptado para o cinema, seguido de Aracelli, Meu Amor, em 1976, e Infância dos Mortos, o Pixote, (1977) que também inspirou o filme. Em 1981, ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia pelo seu trabalho de autor e de "amigo do escritor" e dois prêmios da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como novelista e ficcionista.

De lá para cá, graças à inestimável colaboração de sua mulher, Ednalva, já escreveu e lançou mais de 30 livros, alguns deles destinados ao público jovem. No cinema, participou de pelo menos 10 longas-metragens e para a televisão escreveu, em 1987, a novela: Corpo Santo, TV-Manchete. Em 1988, para a mesma emissora escreveu Olho por olho, O Marajá (censurada até hoje) e Guerra Sem Fim. Para a TV Globo escreveu Gente Fina, em 1990, com a colaboração de Luiz Carlos Fusco e Marilu Saldanha.

No momento, está na reta final de um livro complicado, que vem pesquisando há anos, para a Editora Scipione, de São Paulo. Trata-se de Os Filhos de Maquiavel. O título é provisório, mas as revelações que fará a respeito do ditador Getúlio Vargas e de alguns dos seus parentes e subordinados, inclusive de Gregório Fortunato, são definitivas. As perversões praticadas durante o Estado Novo até hoje não reveladas podem ofuscar as tramas dos romances policiais mais escabrosos. As manobras do Vargas anti-semita e aliado de Hitler são simplesmente sórdidas. José Louzeiro declara que os brasileiros de todas as idades, principalmente os jovens, precisam saber disso.