ENCONTRO MARCADO    
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JON TOB AZULAY

Acho, principalmente depois de certa idade, que sou uma pessoa como as outras, preocupada com o colesterol, o pagamento das contas no fim do mês, o rendimento escolar da filha, valorizando uma certa paz e tranqüilidade que me permitam... tocar a vida pra frente, que o resto, se tiver que vir, virá. Mas nem sempre é ou foi assim. Ainda hoje, aos cinqüenta e tantos anos, idade que me parece absurda, a ocorrência de surtos de inquietações e ânsias do passado se faz presente. Ainda bem, pois poder continuar sendo o que sempre fomos ou desejamos ser é um verdadeiro luxo para quem já atravessou boa parte da vida. É possível que o melhor ainda esteja por vir, quando os defeitos e instabilidades do passado se depuram dos aspectos negativos e liberam energias produtivas e criativas. Mas é também quando se ganha consciência, o que muito nos atemoriza, do fragilíssimo equilíbrio do qual dependemos. Quando penso na quantidade de água e luz elétrica que diariamente consumo para me sentir minimamente... feliz, sou obrigado a rir para não desesperar. Decididamente, a vida pode ser tudo que quisermos, mas nunca tão ridícula e absurda. Embora também ache, como disse o poeta, que "há sempre um copo de mar para um homem navegar".