ENCONTRO MARCADO    
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JOÃO UBALDO RIBEIRO

As provetas do diabo
Mário Pontes

"Cada novo livro de João Ubaldo Ribeiro tem pouco em comum com aqueles que o antecederam. Foi assim com Sargento Getúlio em relação a Setembro não tem sentido. Este, um painel das frustrações e do aborrecimento em que vive um grupo de intelectuais, tendo a enlaçá-los, em termos de narrativa, pouco mais do que a paisagem de Salvador no início dos anos 60. Aquele, o tenso e intemporal relato de dois homens estreitamente unidos pelo ódio e a violência, que os arrastaram para a morte, numa odisséia terrestre sob o sol escaldante do deserto nordestino. Foi assim também na passagem de Vencecavalo e o outro povo – uma coletânea de contos atravessados pela alternância do deboche e do absurdo – para Viva o povo brasileiro, saga de sonhos coletivos que se desdobra, lírica e realista, ao longo de gerações e de séculos. O sorriso do lagarto não escapa a essa regra da ausência de regras na construção da obra do ficcionista baiano.(...)

(...) Convém deixar claro, porém, que O sorriso do lagarto não é um romance baiano. Passa tão longe do regionalismo quanto o cometa de Halley passou da Terra em sua última aparição: e não faz nenhuma concessão ao exotismo de que tantos escritores latino-americanos se valem para conquistar entediados leitores dos países super-ricos. Salvo pelas coordenadas geográficas, esta ou aquela referência cultural e algumas inevitáveis pinceladas que realçam as cores fortes do cenário, o relato poderia ambientar-se em qualquer outro lugar – desde que por ele passasse a indefinida fronteira entre a modernidade e aquele mundo que apenas a tangencia.

O sorriso do lagarto equilibra-se em cima dessa linha. É visivelmente um romance de olho no mundo moderno. Lança pontes em sua direção e até absorve na trama ingredientes que irão despertar o interesse dos consumidores do lado norte do Equador. Mas, ao mesmo tempo em que se propõe a ser um romance universal e contemporâneo, O sorriso do lagarto é também uma exteriorização de confiança, quando não é pura e abertamente uma denúncia e uma negação de certos valores caros à universidade e à contemporaneidade.
O Liberal, 4.11.89.

Política prática, para leigos
Leandro Konder

"(...) João Ubaldo resolveu preparar uma espécie de manual para leigos, para homens e mulheres da chamada classe média, gente que não está familiarizada com teorias, porém está preocupada com as questões práticas da política (tais como elas estão sendo debatidas agora, entre nós).

Em capítulos curtos, com cativante clareza, João Ubaldo, nesta reedição ampliada de "Política", fala do Estado, da Nação, do poder, das classes sociais, das ideologias, dos partidos políticos e até do voto distrital. Em plena campanha eleitoral, temos ao nosso alcance um excelente curso compacto."
O Globo. Rio de Janeiro, 19.10.86.