ENCONTRO MARCADO    
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JOÃO UBALDO RIBEIRO

Livro de cabeceira A Ilíada.
Desejo não realizado – Não tenho.
Lugares – Rio de Janeiro e Itaparica
Mania – De enrolar a ponta do cabelo junto à orelha.
Vício – Fumar cigarro. Um maço e meio por dia de Hollywood.
Bebida – Uísque. De preferência, Black & White.
Filmes – Dr. Strangelove, de Stanley Kubrick, e Férias de amor, de Joshua Longan.
Ator – Laurence Olivier.
Atriz – Fernanda Montenegro.
Música – Bach e Mozart.
Escritor – Shakespeare.
Lazer preferido – Ler.
Melhor horário para escrever – De madrugada. O silêncio e a tranqüilidade me inspiram.
Paixão – Se minha mulher estivesse do meu lado, ela saberia responder.
Raiva – De violência.
O que mais detesta no caráter das pessoas – Hipocrisia.
Revista de Domingo do Jornal do Brasil, 27/07/91

Como nasce um romance

Sobre a origem dos romances:
"A história começa a aparecer de repente e aquilo vai se cristalizando. Aí, vou conversando com minha mulher, com os amigos. Digo que algo pode dar uma história, boto título, que às vezes acaba mudando. Um belo dia, começo a escrever. Faço anotações, mas nunca servem, não adianta nada. Geralmente compro uma porção de cadernos nos quais anoto as idéias que me vêm à medida que vou escrevendo. Faço planos grandiosos, mas nunca adianta, no fim sai de outro jeito. Vem um nome, uma idéia, um episódio, uma fase da história."

Sobre a criação dos personagens:
"Não há nenhum planejamento. Os personagens vão chegando e entrando. Não tenho a menor idéia do que vai acontecer com eles. Não consigo dissecar os personagens. Já me aconteceu diversas vezes de mudar o personagem, a forma de ele pensar e agir. Às vezes ele recusa a fazer algo e tenho que acatar. Não imagino os personagens fisicamente."

Sobre o desenvolvimento da narrativa:
"Acontece muitas vezes de a história mudar no meio da narrativa. Acho que vai seguir por um caminho, mas é mentira, muda tudo. Aí não adianta. Às vezes, no meio da narrativa, acontece o nó. Você pensa que tá tudo arrumadinho, e não tá. E pensa também que o nó não vai desatar nunca. É sofrimento, mas acaba desatando. Você tem que parar um pouco e depois voltar. Quando sento para continuar um livro, procuro ver o que escrevi ontem para dar a continuidade, como se fosse um novo dia."

Sobre a rotina e o cotidiano do escritor:
"Costumava acordar de madrugada e escrever. Agora não faço mais, por problemas de saúde. Mas não gosto, por exemplo, de ser visto escrevendo. Quando trabalho em um livro, escrevo todos os dias. De manhã e à tarde. Tenho minha agenda e meu canivete sempre comigo, para minha sobrevivência escritorial. E sempre escrevo no computador, depois releio a impressão no papel. Gosto de música clássica, na verdade de Bach, mas não suporto trabalhar com o som ligado. Quando quero ouvir música, quero ouvir música. Quando quero escrever, quero escrever."
Depoimento na seção de cultura do Correio Braziliense, 10/01/1998.