ENCONTRO MARCADO    
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ELISA LUCINDA

Ao semelhante
Elisa Lucinda, 1998

Meu verso,
o que de maravilhoso aprendi na estrada,
o que de horroroso consegui transpor na escalada,
aonde morri,
no galho fino onde ressurgi
Os ilustres descobrimentos do cotidiano
Tudo isso vou dando por aí.
Vou me dando ao semelhante
Sem ser candidata a nada. Minto sou candidata ao bom humano. Porque o amo. Amo-o exatamente como o mesmo, com as negligências, com as exigências, com o cheque especial do perdão e com poucos juros. Juro apenas com essa poesia estampada na palma da mão, querendo que o chão onde se pise seja o chão do verso; querendo que o topete do tatame do ser seja de lã do verso.
Querendo que a poesia exista também ao meio-dia no meio dos varais dos afazeres
Luz clara, retrovisor onde floresçam rimas querendo esquinas de estrofes nas atitudes.
Cresci, pelas mãos de minha mãe, feito para dizer poema e todo mundo entender.
O resto é essa escadaria que subo com a dignidade poética no meio da enxurrada.
E cada vez que o público chora, seja ele criança, jovem, maduro, velho, seja ele sem idade, minha atriz agradece a façanha.
É ela quem se assanha a arregaçar as mangas e servir ao Samurai poema.

Meu verso, meu amor
minha maternidade
minha coragem e o que de maravilhoso
aprendi, vou dando por aí.