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ELIANE MACIEL

Eliane Maciel nasceu em 1965, na Baixada Fluminense, região operária do Grande Rio. A família, de pai militar e mãe doméstica, tinha grande interesse por livros, o que levou a menina a aprender a ler sozinha, aos três anos, num programa de alfabetização para adultos na TV. Concluiu a alfabetização antes dos cinco anos e, desde então, passou a ler muito, não se importando exatamente com o estilo, mas sim com o prazer que um livro de qualidade proporciona. Aos dez anos, mora com os pais, um irmão, a avó e uma tia separada, com seus dois filhos. Os conflitos inevitáveis levam a família a considerá-la rebelde mas, de certa forma, favorecem o estabelecimento de uma postura madura diante da vida: "Adolescente na Baixada não anda em garupa de moto ou vai à praia pegar surf, enquanto o trabalho da casa é feito pela empregada, como na Zona Sul. Adolescente de Nilópolis pega dois ônibus para ir ao ginásio (e se sente privilegiada por isso!), sonha com Sidney Magal, vai à Igreja, cria irmão mais novo, faz trabalho da casa. É o máximo que consegue e isso eu tive um pouco."

Aos quinze anos de idade, viveu uma experiência que iria marcar profundamente o seu futuro. Menor de idade, apaixonada por um homem dezoito anos mais velho (Otávio) e depois de muitos conflitos familiares, decidiu fugir de casa para levar adiante o relacionamento. Teve que falsificar documentos, indo morar em Juiz de Fora, onde trabalhou como babá e fazia marmitas e doces para fora. Todo esse difícil processo fez surgir o seu livro de estréia, Com licença, eu vou à luta. Segundo Eliane, o livro surgiu de uma forma quase incontrolável, de uma necessidade vital de se expressar para não enlouquecer, era o grito de uma adolescente em crise com valores de uma sociedade em que começava a se inserir de maneira mais consistente. O livro tornou-se um grande sucesso e em 1986 virou filme do estreante cineasta Lui Farias, obtendo no Festival de Gramado os prêmios de melhor roteiro e de atriz para Marieta Severo.

Depois do lançamento do livro em 1983, Eliane e Otávio mudaram-se para Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Do relacionamento, que durou doze anos, tiveram quatro filhos. Nesse período, Eliane mantinha sua rotina de escritora, mãe, esposa e dona de casa e lançou mais dois livros: o romance Corpos abertos e Na luta, sem pedir licença, de certa forma uma continuação de seu primeiro livro.

Em 1992, Eliane lançou seu quarto livro, O grande escarcéu e depois participou da coleção Fatos e Relatos da editora Ediouro, formada por quatro volumes de contos de quatro autores, dedicados ao público universitário.

Em 1996, em parceria com a pesquisadora Vera Taulois e com o fotógrafo Sebastião Barbosa, escreveu Os correios de Petrópolis: um passeio pela história, lançado no ano seguinte, em edição especial, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Há cerca de doze anos, Eliane intensificou a união entre a carreira de escritora e a de colaboradora em vários jornais e na revista Mulher de Hoje, da Bloch Editores, onde manteve por dois anos a página Entre amigas. Paralelamente, trabalha como assessora de comunicação e marketing em várias ONG's, desenvolve atividades na área de Educação e envolve-se em projetos voluntários de sensibilização de professores e adolescentes para a prevenção da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis. A experiência de cerca de dez anos conversando sobre sexualidade com jovens de todo o país levou-a a escrever A vida é agora – ser jovem nos tempos da AIDS, livro paradidático, com prefácio de Fanny Abramovich, dedicado a adolescentes e que busca dar uma visão mais positiva e solidária sobre o tema.