ENCONTRO MARCADO    
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ADÉLIA PRADO

"(...) Não há dúvida de que a poesia de Adélia Prado é surpreendente: aceitando o desígnio – literalmente marginal – de exprimir o mundo, a relação deste com a linguagem não ocorre como representação. Desde que o poema (obra humana) não difere essencialmente do mundo (obra divina) porque a voz do poeta é Deus quem a dá, a poesia pode transitar para a vida e vice-versa (...)."
Margarida Salomão – Prefácio. In: "Bagagem". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.

"(...) Mineira às avessas, inverte Minas Gerais, seus mortos são estuantes em vida, seus parentes são tudo menos fotografia na parede, suas comadres não são velhas mineiras vestidas de preto-russo, são fêmeas do povo. (...) O espesso sangue que lhe corre nas artérias poéticas, fazendo disparar seu coração, é o mesmo que, compacto, irriga e percorre estes textos em prosa, o mesmo que alimenta suas denúncias e vigorosa indignação." (...)
Rachel Jardim – sobre o livro "Solte os cachorros". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.

"Haveria muitíssimo ainda o que dizer da poesia de Adélia Prado, de sua mestria em inserir textos do mais banal prosaísmo dentro dos contextos poemáticos, do talento com que manipula a autora o estilete do susto e do abrupto, da sibilina ironia com que expõe a vida ao ridículo ou da pertinência agílima com que se vale dos esquemas rímicos (...)"
Ivan Junqueira – "À sombra de Orfeu"

"(...) Além de ter instalado uma linguagem sua e além de ter se enraizado em sua paisagem natural, Adélia descobre a mulher concreta dentro de si mesma, além das ideologias, além dos preconceitos, e assume uma eroticidade que, de repente, faz ressaltar a eroticidade ausente de nossa "poesia feminina" convencional. Nesse sentido, ela, lá em Divinópolis, está ao lado das mulheres de sua geração, redescobrindo a seu modo um espaço erótico e vital, que algumas poetisas jovens, ligadas ao que se convencionou chamar de "poesia marginal", também andam fazendo: a redescoberta de uma linguagem que se afasta da maneira masculina de ver o mundo, um modo de escrever sem pedir de empréstimo os lugares-comuns da ideologia social e literária." (...)
Affonso Romano de Sant’ Anna – Prefácio de "O coração disparado". Rio de Janeiro: Editora Salamandra, 1984.