ENCONTRO MARCADO    
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CHICO CARUSO

Os irmãos Caruso, famosos na mídia como cartunistas (...) fazem um espetáculo aparentemente fora de sua órbita. Não são – ou poucos supõem que sejam – artistas, essa categoria para o geral das pessoas acima do bem e do mal. Pois bem: profissionais do árduo dia a dia da imprensa, transformam esse ramerrão quase sempre escrito em linguagem para iniciados, num palavreado popular, em canções que contagiam a platéia. (...) Nada escapa, da direita mais crassa (Pitta e Maluf, é claro) à esquerda mais amena (Miguel Arraes é atingido através do neto pós-moderno, dos precatórios). Fernando Henrique é mostrado como o sociólogo outrora esquerdista que continua a adorar O Capital, de Marx, principalmente privatizado: um dia vai privatizar a própria cadeira presidencial. Os presidentes, o atual e os anteriores, fazem aliás o ponto alto do show. Sarney, com pente fino, tem reproduzidos os discursos rebarbativos, o cuidado acadêmico com a linguagem, o deslumbramento com certas viagens ao exterior. De Figueiredo são trazidas à tona algumas das frases mais definidoras, como aquela da promessa de prender e arrebentar quem não quisesse conviver com a democracia que esse próprio oficial da cavalaria havia ajudado a sepultar. Collor, porém, domina o espetáculo, do ponto de vista do histrionismo. É aí que Chico Caruso mostra sua veia de ator, reproduzindo no palco exíguo o teatro que o político impostor impôs ao país, com ajuda de boa parte dos meios de comunicação. (...)

Trecho da crítica escrita por Moacyr Andrade sobre o show de lançamento do CD "Pra Seu Governo", publicada no "Jornal do Brasil" em 17 de novembro de 1998.