ENCONTRO MARCADO    
VÍDEO    PERFIL    BIO    OBRA    EXCERTO    CRÍTICA 
CARLOS SCLIAR

Scliar, como foi essa luta de vocês ao criar o Clube de Gravura? Vocês faziam um trabalho constante de crítica e autocrítica, como forma de ativar o Clube?
Carlos Scliar – A luta sempre existe quando se quer fazer qualquer coisa que não está na rotina. Éramos um grupo engraçado: eu, Vasco Petrucci, Hofstetter logo no início; em seguida, integrados, vindos de Bagé, Glauco e Bianchetti; depois vieram Mancuso, o mais novo, Fortunato, Ailema (esposa de Bianchetti), Koetz e o Plinio Bernhardt.
No primeiro estágio, estávamos fazendo um trabalho político em defesa da Paz e, de fato, a origem do nosso grupo está ligada ao apoio e à colaboração com a revista de cultura Horizonte. (...) O trabalho e a disciplina foram se impondo diversamente em cada um de nós. Mas desenhávamos, ou, mais adiante, pintávamos juntos, éramos teimosos, humildes, pretensiosos e convencidos de que o que fazíamos nos capacitava mais; claro que esse clima só poderia produzir bons resultados.
Curioso, hoje eu penso que uma das coisas que talvez mais nos ajudou foi que trabalhávamos sem pressa, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Não posso falar pelos outros, mas pela contínua melhora de cada um, pela naturalidade com que os resultados apareciam, eu acho que todo mundo aproveitou demais, e como já disse, cada um buscou e encontrou seu caminho.
Trecho de depoimento do livro "Gravura Brasileira Hoje: depoimentos". Rio de Janeiro: SESC/ARRJ, 1995.

Há relação entre vanguardismo, tradicionalismo e a técnica da gravura escolhida?
Carlos Scliar –
Cada técnica tem suas peculiaridades. O artista escolhe aquela que melhor se preste a transmitir seu projeto. Não é a técnica que marca a posição estética ou ideológica do artista, ela transmite somente a competência daquele que a utiliza. Acontecem, às vezes, mal-entendidos nascidos de preconceitos de profissionais que consideram válidos somente os meios que eles utilizam. O tempo geralmente aplaina essas posições. Técnica nenhuma deve levar a culpa pelo seu uso infeliz.
Trecho de depoimento do livro "Gravura Brasileira Hoje: depoimentos". Rio de Janeiro: SESC/ARRJ, 1995.