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ARIANO SUASSUNA

16 de junho de 1927 — nasce Ariano Villar Suassuna, na cidade de Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa (PB). Filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e Rita de Cássia Dantas Villar. Ariano é o oitavo de uma família de nove.

1930 — dias 3 e 4 de outubro, rebenta na Paraíba a Revolução de 30. Dia 9 de outubro, João Suassuna é assassinado no Rio, como conseqüência das divisões e lutas políticas da Paraíba.

1931 — a família Suassuna continua nas fazendas Acahuan e Saco, situadas no Alto Sertão paraibano. Aí, passam também o ano de 1932. Ano de terrível seca, e quase todo o gado deixado por João Suassuna morre.

1932 — os Suassunas, agora chefiados por Dona Rita Villar Suassuna, mudam-se para Taperoá, no sertão seco, alto e pedregoso dos Cariris Velhos da Paraíba do Norte.

1942 — a família Suassuna muda-se para o Recife, onde os irmãos mais velhos de Suassuna já estão estudando.

1943 — no Colégio Oswaldo Cruz, torna-se amigo do pintor Francisco Brennand, seu colega de turma. Publicação de seu primeiro poema, por intermédio de amigos.

1946 — entra para a Faculdade de Direito. Aí encontra um grupo de escritores, atores, poetas, pintores, romancistas e pessoas interessadas em arte e literatura. Principais componentes do grupo: Hermilo Borba Filho, José Lourêncio de Melo, Capiba, Aloísio Magalhães, Gastão de Holanda e outros. Esses artistas, principalmente Hermilo Borba Filho e José Lourêncio de Melo, têm profunda influência na formação de Suassuna. Esse grupo, sob a liderança de Hermilo Borba Filho, funda o Teatro do Estudante de Pernambuco.

1947 — publica sua primeira peça de teatro: Uma Mulher Vestida de Sol. O Teatro do Estudante de Pernambuco monta o espetáculo O Desertor da Princesa, primeira peça de Suassuna em um único ato. O espetáculo, com direção de Hermilo Borba Filho, foi montado no Parque Treze de Maio, sob a inspiração do teatro ambulante de Garcia Lorca, juntamente com Haja Pau, de José de Morais Pinho, com canções de Capiba.

1950 — inspirado em três folhetos da literatura de cordel, escreve a peça Auto de João da Cruz. Recebe o prêmio Martins Pena. Conclui a Faculdade de Direito.

1951 — ainda em Taperoá, especialmente para receber sua noiva e familiares, Suassuna escreve uma peça para mamulengos, Tonturas de um Coração ou Em boca fechada não entra mosquito. Ele mesmo monta a peça com acompanhamento de músicas tocadas pelo terno de pífanos de seu Manoel Campina.

1952 — já de volta ao Recife, procura seu amigo, grande jurista e professor Murilo Guimarães, a fim de trabalhar em seu escritório como advogado. Escreve a peça O Arco Descolado e ganha menção honrosa do concurso do Centenário da Cidade de São Paulo.

1953 — escreve O Castigo da Soberba em um ato, baseado em folheto de cordel.

1954 — baseado numa peça popular de mamulengo, faz um entremez popular O Rico Avarento, em um ato.

1956 — escreve o romance A História do Amor de Fernando e Isaura. A convite de Luiz Delgado torna-se professor de estética da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), deixando a advocacia. Escreve para seus alunos um Manual de Estética, edição mimeografada pelo Diretório da Faculdade de Filosofia. É designado encarregado do setor de Cultura do Serviço Social da Indústria-Departamento Regional de Pernambuco. Ficando no cargo até 1960.

1957 — casa-se com Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos: Joaquim, Maria, Manoel, Isabel, Mariana e Ana.
Ganha o prêmio "Vânia Souto de Carvalho" com a peça O casamento suspeitoso, montada em São Paulo pela Companhia Sérgio Cardoso, sob a direção de Hermilo Borba Filho. A peça é publicada neste mesmo ano pela livraria Agir Editora, Rio de Janeiro.
Ganha Medalha de Ouro da Associação Paulista de Críticos Teatrais pela peça O Santo e a Porca. Assume o ensino de Teoria do Teatro, Estética e Literatura Brasileira no atual Centro de Artes e Comunicação da UFPE, então Escola de Belas Artes, e de História da Cultura Brasileira no mestrado de História da UFPE.

1958 — escreve o entremez popular O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna, baseado num folheto, numa peça de mamulengo e num conto oral da literatura popular nordestina. A Associação Brasileira de Críticos Teatrais lhe confere medalha de ouro pela peça Auto da Compadecida. É considerado o melhor autor nacional de comédia pela Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura do Distrito Federal (atual Prefeitura do Rio de Janeiro). Recebe os prêmios "Vânia Souto de Carvalho" e "Samuel", conferidos pela Associação de Cronistas Teatrais de Pernambuco.

1959 — escreve a peça em três atos A Pena e a Lei, a partir do entremez para mamulengos de 1951, Torturas de um coração. Funda com Hermilo Borba Filho o Teatro Popular do Nordeste. Recebe, pelo segundo ano consecutivo, os prêmios "Vânia Souto de Carvalho" e "Samuel", conferidos pela Associação de Cronistas Teatrais de Pernambuco.

1960 — escreve a partir de O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna, a peça em 3 atos Farsa da Boa Preguiça. Forma-se em filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco.

1961 — o Teatro Popular do Nordeste monta a Farsa da Boa Preguiça sob a direção de Hermilo Borba Filho. Escreve a peça O Casamento Suspeitoso, publicada neste mesmo ano pela Editora Igarassu, Recife.

1967 — torna-se membro fundador do Conselho Federal de Cultura.

1969 — é nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, Diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE. Nessa qualidade, convoca Capiba, Guerra Peixe, Cussy de Almeida, Jarbas Maciel e Clóvis Pereira, para criarem, juntos, uma música erudita nordestina, a música "armorial", baseada em raízes populares, que viesse se juntar a seu Teatro, à Pintura de Francisco Brennand, à Gravura de Gilvan Samico, à Poesia de Janice Japiassu, Deborah Brennand, Ângelo Monteiro e Marcus Accioly, ao romance de Maximiano Campos, etc.

1970 — com o concerto Três Séculos de Música Nordestina — do Barroco ao Armorial, e com uma exposição de gravura, pintura e escultura, é lançado, no Recife, o Movimento Armorial, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais.

1958/1970 — escreve o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, classificado por ele de "romance armorial-popular brasileiro", que é editado em agosto de 1971 pela Editora José Olympio e laureado com o Prêmio Nacional de Ficção conferido em 1972 pelo Instituto Nacional do Livro.

1973 — desliga-se do Conselho Federal de Cultura.

1974 — deixa a direção do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco. Três de suas peças são publicadas pela José Olympio: O santo e a porca e O casamento suspeitoso, em um só volume; em maio, Farsa da boa preguiça.

1975 — em janeiro é lançada pela José Olympio, em convênio com o INL/MEC, sua Seleta em prosa e verso, com estudo, comentários e notas do Prof. Silviano Santiago, estampas de Zélia Suassuna e quatro peças inéditas: O rico avarento, O castigo da soberba, O homem da vaca e O poder da fortuna e o entremez para mamulengo Torturas de um coração. Assume a Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Recife. Em novembro começa a publicar, no Suplemento Literário do Diário de Pernambuco, a História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: Ao Sol da Onça Caetana, primeiro livro da segunda parte da trilogia A Maravilhosa Desaventura de Quaderna, o Decifrador.

1979 — contrariando seu perfil de assumir independentemente suas posições políticas, assina, junto com Saturnino Braga, Fernando Henrique Cardoso e o Gal. Euler Bentes Monteiro, um manifesto político por transformações na ordem social do país.

1981 — em carta publicada no Diário de Pernambuco declara que não mais iria escrever. Depois afirmou: "Tive que me recolher para fazer uma espécie de auto-análise".

1987 — volta com As conchabambas de Quaderna, texto para teatro não publicado mas encenado em Recife, no ano seguinte.

1989 — depois de ter recusado em outras duas ocasiões, aceita candidatar-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. É eleito para a cadeira de número 32 em 3 de agosto de 1989 e é recebido em 9 de agosto de 1990, com 33 votos a favor e 4 abstenções.

1993/1997 — é nomeado Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no governo Miguel Arraes. Na Secretaria desenvolve importantes projetos como a construção da Ilumiara Zumbi, espaço dedicado aos grupos de maracatu, que tiveram seu número aumentado de 11 para cerca de 80. Nesse período não abriu mão de suas "aulas-espetáculo", com as quais viaja o país, defendendo, com seu jeito simples de contador de histórias, as raízes da verdadeira brasilidade.

1994 — Uma mulher vestida de sol chega à TV.

1995 — A farsa da boa preguiça chega à TV.

1999 — O auto da compadecida, sua peça mais conhecida e elogiada, ganha uma versão impecável para a TV.