ENCONTRO MARCADO    
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MAURO RASI

A Estrela do Lar

Hermes – A família é uma instituição de grande valor moral/exige amor e união/para atingir o ideal!

(Aplausos. Emília surge no alto da escada, com a pistola. Aspázia volta-se para ela. Só Aspázia a vê.)

Emília – "Plaudite amici"... "Comaedia finita est!"

(Desaparece no quarto de Aspázia, agora já novamente transformado no de Rita.)

Juliano – (Tenta detê-la) Emília!... (Corre para fora do quarto. Olha a mãe tenso)

Magali – Oi, Juliano. Lembra de mim?

Hermes – Vamos ver se você adivinha quem é ela.

Magali – (Aponta o marido) Esse é o meu marido.

(Ronaldo acena)

Mercedes – (A Aspázia, que está perturbadíssima) Dizem que vão cassar o Lacerda. Será verdade, Aspázia? Será que é verdade Aspázia... Que vão cassar o Lacerda?...

(Aspázia grita)

Aspázia – Sentem! (Eles trocam olhares e sentam) Eu vou buscar a lasanha. (Vai para a cozinha mas com os ouvidos atentos, desconfiadíssima. Tira a lasanha do fogão)

Magali – Quer dizer que o Doutor Alvarenga mata mesmo a mulher?

(Aspázia pára. Fica atenta. Aproxima-se para ouvir a explicação)

Hermes – Não. Pois quando ele aplica a injeção para salvá-la, ele não sabia que Helena já havia tomado os comprimidos...

(O laboratório do Doutor Alvarenga começa a se insinuar no cenário. A casa vai, lentamente, adquirindo elementos das três realidades) Mas os peritos da polícia descobrem o vidro de comprimidos... (Tira o vidrinho de comprimidos do bolso e exibe. Aspázia fica profundamente perturbada) ...quase vazio, que Helena havia deixado cair quando teve o ataque... e que rolou para debaixo de um móvel

Ronaldo – Ouvi falar desse caso do Doutor Alvarenga...

Mercedes – (Diretamente a Aspázia) E foi absolvido!

(Aspázia apóia-se na mesa)

Magali – (Decepcionada) Mas a peça termina assim, tio?

Hermes – Não. Quando a cortina se fecha, o lanterninha vem e entrega um envelope ao Doutor Alvarenga. Dentro, há um cravo vermelho. Ele pergunta: "quem mandou isso?" O lanterninha aponta: "aquela moça, que está saindo ali." O Doutor Alvarenga olha e grita: "Olívia! Olívia!!"

(Ouve-se um tiro. Ronaldo dá um salto)

Ronaldo – Tiro! Foi um tiro!

Aspázia – (Tranquilizando-o) Deve ter sido um abacate!... (Retira o anel do dedo e mete-o no bolso. Olha em direção do quarto do filho. Juliano fecha a máquina de escrever)

A Estrela do Lar – final do segundo ato. In: Trilogia Mauro Rasi. RJ, Relume Dumará, 1993.