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WALY SALOMÃO

Baiano de Jequié, 03/09/43 – 05/05/2003 filho de pai sírio e mãe sertaneja, Waly Salomão, nascido em 03/09/43, forma em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1967), mas nunca exerce a profissão. Cursa a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia em 1963|64 e estuda inglês na Columbia University, Nova York em 1974|75.

É figura importante do movimento cultural Tropicália, na década de 60, liderado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Torquato Neto, Jards Macalé, Gal Costa e Maria Bethânia.

Dirige o show Fatal (1971), em que Gal canta músicas como Mal Secreto e Vapor Barato, de sua autoria em parceria com Jards Macalé. Nesse mesmo ano, lança seu primeiro livro de poemas, Me segura qu’eu vou dar um troço, com textos escritos na prisão, paginados e diagramados pelo artista plástico Hélio Oiticica, seu amigo, e sobre quem escreve a biografia Qual é o parangolé.

Em 1972, participa da organização e edição de Os últimos dias de Paupéria, coletânea de artigos do poeta e amigo Torquato Neto, morto em 1972. Junto com Torquato, faz a revista Navilouca, marco do movimento editorial alternativo brasileiro. Nessa época, passa a assinar como Wally Sailormoon, pseudônimo que logo abandona.

Maria Bethânia também adere à poesia de Salomão, gravando, em 1972, Anjo Exterminado, outra da parceria com Macalé. Também com Jards Macalé, divide, no ano seguinte, a direção de produção do disco Aprender a nadar.

Em 1976, o poeta compõe Tarasca Guidon para os Doces Bárbaros (que reúne Caetano, Gil, Gal e Bethânia).

A parceria Salomão-Caetano rende sucessos de Bethânia como A voz de uma Pessoa Vitoriosa (1978), Mel (1979), Talismã (1980), Alteza (1981), Da gema (1984) e Olho d' água (1992).

Nos anos 80, aproxima-se da nova geração do rock nacional, fazendo composições para artistas de sucesso, como Lulu Santos, Paralamas do Sucesso (que gravam Assaltaram a gramática em 1984). Na vanguarda paulistana, compõe Zé Pelintra (1988), com Itamar Assumpção.

Divide, com Miguel Plopschi, a direção artística, e, com Miguel Plopschi e Gal Costa, a coordenação artística do disco Bem-bom (1985), de Gal Costa, e concebe o repertório do disco Gal plural em 1989.

Participa, como compositor, da trilha sonora de diversos filmes. Em 1976, sua música Revendo amigos (c/ Jards Macalé) é incluída na trilha sonora de Amuleto de Ogum, filme de Nélson Pereira dos Santos. Em 1984, escreve, em parceria com Gilberto Gil, as músicas Quilombo, Zumbi, a felicidade guerreira, Dandara, a flor do gravatá, Domingos Jorge Velho em Pernambuco, Ganga zumba, o poder da bugiganga e O cometa, para a trilha sonora de Quilombo, filme de Cacá Diegues. Em 1995, sua canção Vapor barato (c/ Jards Macalé), na interpretação de Gal Costa, faz parte da trilha do filme Terra estrangeira, de Walter Salles Jr. No ano seguinte, sua música Dona do castelo (c/ Jards Macalé) é canção tema de Doces poderes, filme de Lúcia Murat. Em 1998, a canção Vapor barato também é incluída na trilha sonora de Iremos a Beirute, filme de Marcus Moura.

Divide, com João Bosco e Antônio Cícero, a produção artística do disco Zona de fronteira (1991), de João Bosco.
Participa dos vídeos Trovoada (1997) e Fronteira (1988), de Carlos Nader, e dos filmes documentais Candomblé, de David Byrne (EUA, 1988), e Mapas urbanos, de Daniel Augusto (1988), entre vários outros.
Continua sua produção literária, com os livros Lábia (1998), Tarifa do embarque (2000) e O mel do melhor (2001), Alegria, alegria (primeiro livro de Caetano Veloso), Gigolô de bibelôs, Surrupiador de Souvenirs e Algaravias (pelo qual ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura). Seu último livro foi Pescados vivos, publicado em 2004, após sua morte.
Seus últimos trabalhos com MPB são de parceria com cantoras da geração da década de 90. Compôs com Adriana Calcanhotto A fábrica do poema (1994) e Pista de dança (1998) e produziu para Cássia Eller o disco e o show Veneno Antimonotonia (1997), dedicado à obra de Cazuza.

Em janeiro de 2003, assume a Secretaria de Livros e Leitura, a convite do ministro da Cultura, Gilberto Gil. Waly queria popularizar e baratear os livros para, dessa forma, aumentar o hábito de leitura dos brasileiros. Uma de suas propostas era a inclusão de um livro na cesta básica dos brasileiros.
Em 2004, A Fundação Biblioteca Nacional e a editora Aeroplano relançam o livro Me segura qu’eu vou dar um troço, uma reedição de luxo do original de 1972, contendo também um novo texto, A medida do homem, e manuscritos editados em 1975, além de uma introdução do letrista e filósofo Antônio Cícero, incluídos pelos responsáveis pela edição, Heloisa Buarque de Hollanda e Luciano Figueiredo.
Em 2005, Jards Macalé lançou o CD Real Grandeza (Biscoito Fino), contendo exclusivamente canções da parceria de ambos: Rua Real Grandeza, Senhor dos sábados, Anjo exterminador, Dona de castelo, Vapor barato, Mal secreto, Negra melodia, Revendo amigos, Pontos de luz, Berceuse crioulle e Olho de lince, as duas últimas até então inéditas. O disco teve direção musical de Cristóvão Bastos e contou com a participação de Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto e Luiz Melodia, entre outros.