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TONIA CARRERO

Sobre Tônia Carrero

"Tônia Carrero (...) ocupa uma posição à parte entre as atrizes da sua geração. A sua estonteante beleza e a sua inata aura de estrela criaram em torno dela, por muito tempo, a imagem de uma atriz inegavelmente sedutora, mas um tanto peso leve e superficial, predestinada a brilhar em comédias inconseqüentes, mas dificilmente apta a enfrentar desafios mais complexos. Ela foi afiando pacientemente o seu instrumental interpretativo, revelando progressivamente uma sensibilidade, uma intuição e uma gama de recursos que lhe permitem abordar papéis frontalmente opostos à sua imagem padronizada. E a maturidade trouxe-lhe uma ousadia que tem ampliado substancialmente a sua dimensão de artista, sem prejuízo da sua presença sempre elegante e sedutora, e dotada de um prodigioso dom de eterna jovialidade".
In: Pequena Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo, de Yan Michalski.

Sobre a peça A visita da velha senhora
Caderno 2 Variedades
Aos 80 anos, a atriz estréia no Rio A visita da velha senhora, de Dürrenmatt, cercada tanto por veteranos como por representantes das novas gerações
A peça do suíço Friedrich Dürrenmatt, reúne três gerações dos palcos brasileiros. A estrela e produtora é Tônia Carrero que comemora em cena 80 anos de idade (completados em 23 de agosto) e 52 de carreira e se cercou de veteranos (Carlos Alberto, Cláudio Correia e Castro, Nelson Dantas, André Valli e Fábio Sabag), de rapazes que agitaram a cena carioca nos anos 80 (Leon Góes e Paulo Vespúcio) e da garotada recém-saída das escolas de arte dramática. Tudo sob a batuta de Moacyr Góes, que pertence à geração intermediária.
(...) Tônia é só elogios para o diretor, enquanto ele tem um carinho declarado pela diva. "Eu adoro atores e não trato um medalhão diferente do restante do elenco", ensina ele. "Como sou tranqüilo, acaba dando um ótimo resultado."
In: Estado de São Paulo 24/09/2002

Sobre a peça Navalha na Carne
Yan Michalski
"Por mais que os grandes momentos dramáticos me tenham emocionado, a lembrança mais forte que guardarei do seu desempenho é a das suas cenas de segundo plano, quando, com gestos apenas esboçados ou com discretas reações fisionômicas, ela traduz a poética e atormentada alma de Neusa Sueli".
In: Reflexões sobre o teatro brasileiro no século XX, de Yan Michalski, Rio de Janeiro: Funarte, 2005. p. 97.

Sobre o filme Chega de Saudade
Por Laís Bondanzky
Tônia Carrero, de volta ao cinema depois de longo tempo, faz de sua Alice uma personagem inesquecível. A atriz disse que se inspirou no universo do dramaturgo Tenessee Williams, sobretudo em Doce Pássaro da Juventude, para compor Alice. Curioso que, ao assistir ao filme e perceber sua interpretação interiorizada, me veio à lembrança a atuação de Dina Sfat em sua última peça, “Irresistível Aventura”, em que ela fazia A moça da lavanda, de Tenessee. Ainda que as personagens não tenham nada a ver uma com a outra, vi na interpretação de Tônia a mesma complexidade emocional interiorizada de Dina. Chega de Saudade é belíssimo retorno de Tônia Carrero às telas.
In: Site Mulheres do Cinema Brasileiro, 2007