ENCONTRO MARCADO    
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PIETRINA CHECCACCI

"Sua pintura, desde cedo, ligou-se a uma característica figuração crítica, de fundamento fotográfico, para cujas exigências a completa formação na Escola Nacional de Belas Artes armou-a de instrumentos hábeis. De início, no entanto, Pietrina interessou-se mais em dar à base realista uma deformação expressionista capaz de conferir a cada cena e personagem nível extra de atmosfera ou densidade dramática, tal como se pôde ver em diversos de seus estandartes. Pouco a pouco esse clima de intensificação narrativa foi sendo substituído por um alongamento art-nouveau, visível ainda em certas perspectivas deformadas para abrir caminho à languidez de corpos em curva e prazer, mergulhados nas flores. Com intenção de mostrar o uso sucessivo do corpo nas muralhas visuais dos cartazes cotidianos, com seus closes agigantadores do consumo, a pintura de Pietrina veio abandonando também a antiga polaridade do masculino-feminino para concentrar-se neste último elemento, sob várias camadas de símbolo: parcelas de corpos-terra flutuando em campos sanguíneos, vôo vagaroso, microscopia de mãos em gestos precisos, a textura da tela como indício da carne, arrepio da pele. Nos últimos trabalhos, já de amplas dimensões, intensifica-se a preocupação de fotografar hiper-realisticamente detalhes de gestos abertos ao ar, na continuidade desse percurso tenso e aveludado pela anatomia do corpo
In Pontual, Roberto. Arte/Brasil/hoje: 50 anos depois. São Paulo. Collection, 1973

"O corpo é um planeta, é um mapa, é uma paisagem, é uma montanha, é um universo. Pietrina Checcacci, em seu laboratório interior de criação, um dos mais instigantes da arte contemporânea, tem percorrido esta trilha mágica. Sua pintura é frequentada pelos "dedos", elementos anatômicos que se tornavam independentes do todo, para provocar no espectador uma desconfortável sensação de metamorfose, de espelhamento da paisagem do homem. (...)"
Walmir Ayala