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JORGE MAUTNER

Jorge Henrique Mautner nasce no Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 1941, filho de Anna Illich e Paul Mautner. Ambos vieram para o Brasil como refugiados na Segunda Guerra Mundial. Sua mãe, Anna, era austríaca de origem iugoslava e católica, seu pai Paul, judeu-austríaco, era extremamente culto, e entre outras atividades, trabalhou no Brasil com a comunicação da agência de resistência judaica anti-nazista.

Jorge começou a conhecer os batuques do candomblé com sua babá Lúcia (que o criou até os sete anos, em virtude de uma paralisia de sua mãe), que era Yalorixá. Em 1948, sua mãe divorcia-se de seu pai, se casa com o violinista Henri Müller e se muda para São Paulo, levando Jorge junto. Seu padrasto, que é a primeira viola da Orquestra Sinfônica de São Paulo, ensina Jorge a tocar violino e o apresenta a grandes artistas da Rádio como Aracy de Almeida, Nelson Gonçalves, BlackOut, Jorge Veiga, Tonico e Tinoco, Elizeth Cardoso, Inezita Barroso, Marlene, Emilinha Borba, entre muitos outros.

Mautner estuda no Colégio Dante Alighieri, ao longo de sua adolescência. Nele, conhece José Roberto Aguilar e Arthur de Mello Guimarães, amigos seus que são também seus personagens em seus livros. Apesar de ótimo aluno, Jorge abandona a escola no 3º ano científico, sem se formar, por ter escrito um texto no qual é acusado de "tarado". Hoje, o colégio tem uma sala dedicada a ele.

Em 1955, com apenas 15 anos, começa a escrever Deus da Chuva e da Morte (que conclui um ano depois).Aos 18 anos (1958), um texto seu é publicado numa revista pela primeira vez. Descoberto pelo poeta Paulo Bonfim, Jorge Mautner é comentado no nº 13 da revista filosófica Diálogo, dirigida por Vicente Ferreira da Silva. Nesse mesmo ano, Jorge começa a compor músicas como Iluminação, Olhar Bestial, O Vampiro.

Em 1962 publica seu primeiro livro, Deus da Chuva e da Morte e por ele recebe o prêmio Jabuti de Literatura. Nessa época, Mautner lança o Partido Kaos, mas logo adere ao Partido Comunista; convidado pelo professor Mario Schenberg para participar junto com José Roberto Aguillar de uma célula cultural no Comitê Central. Em 1963, lança seu segundo livro, Kaos, com orelha escrita por José Roberto Aguilar.

Mantém, até o dia do golpe militar de 1964, uma coluna diária, chamada Bilhetes do Kaos, no jornal Última Hora, tratando de assuntos diversos..

Após o golpe, Mautner é preso e enviado para Barretos (SP). Segundo o Exército, sua prisão seria uma forma de proteção contra as organizações paramilitares, que poderiam vitimá-lo por seu envolvimento com o ideário comunista. É solto, sob a condição de se expressar mais cuidadosamente em suas futuras obras – cuidado esse que não será tomado.

Em 1965 lança os livros Narciso em tarde cinza (que encerra a Trilogia do Kaos) e O vigarista Jorge. Lança o compacto com as músicas de protesto Radioatividade e Não, Não, Não e também o conjunto O’ Seis – Suicida Apocalipse (uma prévia dos Mutantes). Começa a tocar em bares e casas noturnas de São Paulo.

Em 1966, Jorge é incluído na lei de Segurança Nacional, em virtude do conteúdo provocador de O vigarista Jorge e das letras do seu disco. Então, exila-se nos Estados Unidos e começa a trabalhar na Unesco. Como bico, faz versão de livros brasileiros para o inglês e dá palestras sobre estes livros para a Sociedade Interamericana de Literatura.

Em 1967, trabalha como secretário literário do escritor americano Robert Lowell. Nesse ano, compõe duas músicas em parceria com a compositora e pianista de jazz Carla Blay.

Em 1968, volta para o Brasil e trabalha no filme Jardim de Guerra, de Neville D’ Almeida, escrevendo o roteiro e o argumento.

Em 1970 viaja para Londres, onde se aproxima de Caetano Veloso e Gilberto Gil, exilados naquela cidade. Nessa época, compõe com Caetano a canção Far away, e com Gil as canções The three mushrooms, Babylon e Crazy pop rock. Também em 1970, dirige e atua no filme O demiurgo, filmado na casa de seu amigo Arthur de Mello Guimarães, em Londres, com participação de Gilberto Gil, Caetano Veloso, José Roberto Aguilar, Péricles Cavalcanti e Leilah Assunção. O filme foi censurado para exibição pública.

Ainda em 1970, volta ao Brasil, começa a escrever para o jornal O Pasquim e trava seu primeiro contato com Nelson Jacobina, com quem inicia uma fértil parceria, que dura até os dias de hoje. Com ele compõe Maracatu atômico, sucesso na gravação de Gilberto Gil e, posteriormente, de Chico Science e a Nação Zumbi.

Em 1972, estreia o espetáculo Para iluminar a cidade, que é gravado ao vivo e gera disco de mesmo nome. Outro compacto lançado nesse ano é Planeta dos macacos. Realiza shows em penitenciárias para detentos e também na Casa das Palmeiras (de Nise da Silveira) para os internos, no Rio de Janeiro.

Lança em 1973 o livro Fragmentos de sabonete (escrito em 1965, nos EUA).
Participa de uma comemoração patrocinada pela ONU pelos direitos humanos, no Museu de Arte Moderna, com o show Banquete dos mendigos. O show dá origem a um disco ao vivo, com a participação de Jorge Mautner, Nelson Jacobina, Chico Buarque, Luis Melodia, entre outros.

Em 1974, seu segundo LP Jorge Mautner é lançado, com direção musical e participação de Gilberto Gil. Também com Gil e Caetano faz show em Salvador. Nesse ano, participa do festival Abertura (da TV Globo) com a canção Bem-te-vi, bem-te-viu, classificada em terceiro lugar. Ainda em 1974, Mautner é dispensado de O Pasquim, e começa então sua revolta e ataque a Millôr Fernandes e outros "cabeças" envolvidos com o jornal.
Lança, em 1976, o LP Mil e uma noites de Bagdá. Em 1979, publica o livro Panfletos da nova era (Editora Global), cujos textos haviam sido publicados em capítulos pelo Diário de São Paulo. Grava, no mesmo ano, um compacto simples, contendo as canções O filho predileto de Xangô e O boi. Ainda em 1979, Caetano Veloso grava sua canção Vampiro no LP Cinema Transcendental.

Na década de 1980, lança o LP Bomba de estrelas, com participação de Caetano e Robertinho do Recife, o Antimaldito, com direção artística de Caetano e Árvore da vida, em parceria com Nelson Jacobina; publica os livros Poesias de amor e morte, Sexo no crepúsculo e Fundamentos do Kaos; faz shows contra o apartheid da África do Sul e a favor da revolução da Nicarágua.

Em1988, trabalha como chefe de gabinete de Gilberto Gil em seu mandato como vereador em Salvador. Em 1990, viaja para a Áustria, onde grava o CD Pedra bruta. Publica, em 1993, o livro Miséria dourada.

Em 1996, apresenta-se em várias cidades brasileiras com o show Encantador de serpentes. Nesse mesmo ano, é homenageado pela Fundação Nacional de Arte (Funarte), que inaugura em sua sede paulista a Ala Jorge Mautner.

Entre 1997 e 1999, lança o CD Estilhaços de paixão, com direção de Nelson Jacobina e o CD duplo O ser da tempestade: 40 anos de carreira. Faz shows na Europa, dá aulas de literatura em escolas públicas na periferia de São Paulo e apresenta-se em unidades do Sesc em São Paulo, celebrando os 100 anos de Bertold Brecht.

Em 2000 participa, como comentarista cultural, do programa semanal Musikaos (TV Cultura/SP) e faz shows pelo Brasil ao lado de Nelson Jacobina.

Em 2002, grava, com Caetano Veloso, o CD Eu não peço desculpas. Nesse mesmo ano, lança o CD e o livro Mitologia do Kaos, uma reunião de sua obra, com comentários de vários artistas e amigos.

Em 2004, escreve o livro Diálogos com o ministro Gilberto Gil, com tradução e edição simultânea em diversos países. Publica, em 2006, o livro autobiográfico O filho do holocausto. Lança, no ano seguinte, o CD Revirão.

No dia 23 de abril de 2007, apresenta-se ao lado de Jorge Benjor, Jorge Vercilo e Jorge Aragão, na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, em show que reúne os “Jorges” da música brasileira em homenagem a São Jorge. No repertório, parcerias inéditas, como Líder dos Templários e outros sucessos dos quatro artistas. O registro ao vivo do show é lançado, nesse mesmo ano, no CD e DVD Coisa de Jorge.
As duas últimas parcerias com Gil (que foram gravadas no revirão e no CD de Gil Banda Larga Cordel) são Os Pais  e Outros viram.  O grupo afro-reggae faz uma encenação baseada nos textos do livro A Mitologia do Kaos, de Mautner. Outro grupo baiano, com base no candomblé de Fábio Viana, encena uma trilogia chamada Trilogia do Kaos, com danças e textos retirados de sua obra.

Mautner participou como ator na peça Deus é química, de Fernanda Torres, que a escreveu inspirada em seu conto A química da ressurreição, publicado no livro Tarja Preta, pela Editora Objetiva.

Nos últimos anos, Mautner tem percorrido com Nelson Jacobina os pontos de cultura – que já são mais de dois mil – criados pelo MinC durante a gestão de Gilberto Gil. No programa Amálagama-Brasil Pontos de Cultura, de meia hora, exibido semanalmente, a partir 2009 na TV Brasil e no Canal Brasil, Mautner entrevista artistas como Caetano Veloso, Gil, Daniela Mercury, Fernanda Torres, Lenine, Macalé etc. que comentam sobre a importância desses pontos de cultura.

Prêmios:
1962 – Jabuti de Literatura por seu primeiro livro, Deus da chuva e da morte
2003 – Grammy Latino pelo disco Eu não peço desculpa
2003 – Título de Comendador pela Ordem do Mérito Cultural (em Brasília)
2003 – Cruz de Honra da Áustria para a Ciência e Cultura, concedida pelo presidente da Áustria no consulado austríaco do Rio de Janeiro.