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ARTHUR OMAR

Sobre Arthur Omar
Por Carlos Alberto Mattos
"Artista de extirpe davinciana, que filma, fotografa, desenha e compõe música praticamente sozinho, Arthur Omar resiste bravamente às tentativas de categorizar o seu lugar na cultura brasileira. Rejeita veementemente rótulos como 'cineasta experimental' ou 'artista multimídia', preferindo a classificação de artista amador. O que nele não significa uma atitude de modéstia. 'Sou o melhor dos amadores', define-se, usando o tom de um garoto que se compraz em brincar com o efeito das palavras e com a própria vaidade. 'Em termos de cinema brasileiro, eu sou o primeiro de uma linhagem', avança um pouco mais. (...) A obra multifacetada de Arthur Omar é da ordem da engenharia imaterial. Sua operação básica consiste em construir pontes entre categorias aparentemente inconciliáveis, mas que revelam aproximações surpreendentes na alquimia de sua criação. O documental e o experimental, o etnográfico e o mítico, o festivo e o dramático comunicam-se por intermédio do emprego obsessivo da metáfora.
In: Caderno 2 do Estado de São Paulo de 5/11/97.

Sobre Arthur Omar
Ligia Canongia, em 1998
"Arthur Omar é um dos grandes nomes do experimentalismo no Brasil, com uma obra multimídia que abarca cinema, vídeo, fotografia, música, poesia, além da reflexão teórica. Seu trabalho surge no início da década de 70, quando atua como diretor e roteirista de cinema na realização de cerca de dez curta-metragens e um longa. (...) Na área fotográfica, seu maior projeto tem sido a série Antropologia da face gloriosa, um work in progress que se desenvolve há vinte anos, somando já mais de uma centena de fotos (...) . Artigos e ensaios escritos para diversas publicações - jornais, revistas e livros - divulgaram em mais ampla escala a reflexão do artista, revelando nele um pensador sensível e agudo das questões culturais no Brasil".

Sobre: Antropologia da face gloriosa
Por: Celso Fioravanti
“Durante mais de 20 anos, o artista multimídia Arthur Omar percorreu o carnaval carioca coletando cerca de 10 mil imagens. Dessas, selecionou 161, reunidas no livro Antropologia da face gloriosa (Rio de Janeiro: Cosac & Naify, 1998). Engana-se, porém, quem pensar que vai encontrar nele um rosário profano de sexo, suor e cerveja ou mesmo o rosto de Lumas, Adrianas e Miguéis.
O corpo em transe dionisíaco (ou publicitário) cede lugar no livro a rostos, bocas e dentes anônimos. Realizadas entre 1973 e 1996, as fotografias, todas em preto-e-branco, funcionam como máscaras de um teatro trágico, fotogramas de um filme todo de êxtase (...) Mesmo os títulos das fotos, que normalmente são esclarecedores, em Antropologia são perturbadores. Questionam a própria visão do espectador ao colocar a ambiguidade em primeiro plano. O lânguido olhar de um travesti, por exemplo, vira, na página 160, “O terror dos goleiros aristotélicos", e um índio viril torna-se "rosto oculto por cortinas invisíveis" (página 89). Em Antropologia, Arthur Omar realiza o milagre da transmutação da matéria ao transformar o corpo em poesia.
In: Folha de São Paulo – Ilustrada, 28/03/98

Sobre: O esplendor dos contrários
Por: Fernando Oliva
O novo livro é uma tentativa de descobrir novas maneiras de 'dizer a Amazônia com imagens', para dar ao espectador a chance de vivenciar uma experiência inédita de contato com a floresta, seus mitos e o poderoso imaginário que a envolve. Textos do próprio artista, oscilando entre o documental e o poético, vão ladeando um percurso de imagens insólitas, às vezes assustador e sinistro, construído de árvores, galhos, terra, rios, barcos, homens e animais.

Entretanto, se o leitor quiser prescindir da palavra, o percurso por O esplendor dos contrários pode ser feito apenas através das fotografias, representações da paisagem selvagem que vão de encontro ao conceito estético do "sublime", por seu sentimento de profunda admiração e temor pela grandiosidade e violência da natureza.

Para fazer outro paralelo com a pintura, as imagens de O Esplendor dos Contrários são ricas em associações com as telas de Caspar David Friedrich (1774-1840, maior pintor romântico alemão e um dos gênios mais originais de toda a história da pintura de paisagens), principalmente pelo caminho poético que ambos percorrem em busca da natureza espiritual da paisagem, e na luta para trazer à tona seus aspectos ocultos
In: Estado de São Paulo – Caderno 2, 18/01/2003

Sobre: Zooprismas
Por: Luiz Camillo Osório
(...) A exposição de Arthur Omar no Centro Cultural Telemar é um exemplo desta contaminação de meios de expressão. É um uso do audiovisual para além da narrativa cinematográfica convencional, ou seja, que não se deixa amarrar por uma história, mas por fluxos intensos de imagem. Todo o Centro está tomado pelo artista, com uma sequência de trabalhos que vão da fotografia à videoinstalação, articulando luz, corpos e movimento.
'Zooprismas', instalação que dá título à mostra (...) remete aos cinecromáticos de Palatnik e às origens da experimentação com movimento na fotografia. Os efeitos de quase hipnose nascem de uma inteligente operação de câmera e montagem, cuja projeção em enorme tela de mais de dez metros fascina de imediato (...)
Conceber afinidades no interior das diferenças é uma constante nestes trabalhos. O cinema se transforma em pintura, em dança e em música. (...) 'Luz, lumière, light'; nos mostra a origem do cinema no esforço da mão em capturar a luz, domesticá-la. Se em 'Zooprismas'; o efeito da imagem em movimento é vertiginoso, aqui a dança da luz que escorre pela mão é cadenciada e lírica. A música é um dado surpreendente não só neste trabalho como em vários momentos da exposição. A videoarte assume um lugar definitivo na história da arte, e Arthur Omar tem um papel relevante nesta inserção.
In: O Globo – Segundo Caderno, 09/10/2006