ENCONTRO MARCADO    
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BETTY MILAN

Descendente de imigrantes libaneses, a paulistana Betty Milan, nascida em 5 de agosto de 1944, sempre quis ser escritora. Mas, como a tradição familiar rezava que ao filho primogênito estava reservado o título de doutor, ela escolheu fazer medicina. Na faculdade, Betty descobriu a psiquiatria – que, concluiu, lhe possibilitava enxergar o ser humano de um ângulo muito mais interessante do que o das aulas de anatomia. Recém-doutorada na matéria, entrou para a Sociedade Brasileira de Psicanálise, onde ficou apenas o tempo de ser expulsa – suas críticas ao behaviorismo então dominante não foram bem recebidas. Expurgada, foi para a França procurar sua turma, ou melhor, sua nova turma.

O encontro com o psicanalista e filósofo Jacques Lacan – a quem pretendia propor que enviasse um discípulo para o Brasil – muda sua vida. "Ele me arrebatou", diz. Quatro meses de análise no célebre consultório da Rue de Lille – e a "transferência rolando solta" – fazem com que Betty decida se separar do marido brasileiro e fincar o pé na França. A convivência com Lacan, primeiro como paciente, mais tarde como sua tradutora e assistente, dura quatro anos. A experiência está contada em O papagaio e o doutor, o segundo dos cinco romances da autora, publicado também na França. Pela falta de reverência com que a discípula descreve o mestre, o livro ganhou elogios de Catherine Millot, a última amante de Lacan ("É o seu mais fiel retrato") e críticas de Judith Miller, filha do psicanalista e herdeira oficial de sua obra ("É brasileiro demais").

No fim da década de 70, Betty casa-se com o historiador e editor de artes Alain Mangin, com quem vive, no Brasil e na França, até a morte dele. O casal teve um filho, que vive em Paris.

Em 1980, Betty passa a se dedicar ao estudo da cultura popular brasileira com o apoio da Ford Foundation. Sua pesquisa resultou em dois livros, Os bastidores do carnaval e Brasil: o país da bola.

No fim de 1981, ela lança seu primeiro romance, O sexophuro. Consegue conciliar a atividade de ficcionista com seus estudos, que rendem outros ensaios como O que é amor, de 1983, livro com tema parecido, mas abordagem distinta da do romance editado dois anos antes.

Durante a década de 80, Betty volta para Paris que a recebera tão bem alguns anos antes. Lá, se dedica a escrever em tempo integral.

Em 1994, lança seu terceiro romance, A paixão de Lia.
Em 1998 é a convidada de honra do Salão do Livro de Paris, em cujo contexto foram lançadas as versões francesas de Os bastidores do Carnaval e Brasil: o país da bola, pela mesma editora que havia lançado O papagaio e o doutor.

Escreve mais dois romances: em 2001 O clarão (finalista do prêmio Passo Fundo de Literatura) e em 2003 O amante brasileiro (indicado para o prêmio Telecom).

Colabora na Folha de São Paulo desde 1979. Em 2005, torna-se colunista do jornal, respondendo a questões de leitores na coluna Fale com ela. Realiza conferências ao redor do mundo, com temas como psicanálise, literatura, cultura e identidade
A partir de maio de 2007 começa a escrever no endereço eletrônico da Revista VEJA, respondendo a dúvidas dos leitores sobre amor, sexo, casamento e família.