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MILLÔR FERNANDES

Filho de Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr Fernandes nasceu no dia 16 de agosto de 1923 no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, com o nome de Milton Viola Fernandes. Só seria registrado no ano seguinte, tendo como data oficial de nascimento o dia 27 de maio de 1924. Sua certidão de nascimento, grafada à mão, fazia crer que seu nome era Millôr e não Milton. Tinha três irmãos. Órfão de pai aos 2 anos e de mãe aos 11, desde muito cedo começa a trabalhar. Apesar do aperto, Millor teve uma infância feliz, ao lado de 10 tios, 42 primos e primas e da avó italiana D. Concetta de Napole Viola.
A chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos faz de Millôr um leitor assíduo dessas publicações, em especial de Flash Gordon. Com a ajuda de seu tio Antonio Viola, aos dez anos vê seu primeiro trabalho publicado em O Jornal do Rio de Janeiro. Ganha por ele 10 mil réis. Aos 15 anos começa a trabalhar como contínuo, repaginador e factótum (faz tudo) para a revista O cruzeiro (que, na época, tinha apenas mais dois funcionários). Aos 16, com o pseudônimo "Notlim" ganha um concurso de crônicas promovido pela revista A cigarra. Por essa razão, é promovido e passa a trabalhar no arquivo. Pouco depois, assina na revista A cigarra, uma seção fixa, chamada “Poste escrito”. Assume então a direção de A cigarra, cargo que ocupa por três anos. Dirige também O guri, revista em quadrinhos e Detetive, de contos policiais. Durante seis anos, de 1938 a 1943, estuda no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.
Autodidata, faz sua primeira tradução literária: Dragon seed, romance da americana Pearl S. Buck, com o título A estirpe do dragão, em 1942.

Em 1943 volta para a revista O Cruzeiro, que passa, no decorrer dos anos seguintes, de 11 mil para 750 mil exemplares semanais. Sua colaboração para o periódico atinge a marca de dez seções por semana em 1947.
Faz sua estreia literária em 1946,  com o livro Eva sem Costela - Um Livro em Defesa do Homem. Em 1948 viaja aos Estados Unidos, onde se encontra com Walt Disney, Vinicius de Moraes, o cientista César Lates e a estrela Carmen Miranda. Casa-se com Wanda Rubino.

Publica Tempo e contratempo, com o pseudônimo de Emmanuel Vão Gôgo, em 1949. Assina seu primeiro roteiro cinematográfico, Modelo 19. O filme, lançado com o título O amanhã será melhor, ganha cinco prêmios Governador do Estado de São Paulo, incluindo o de melhores diálogos (para Millôr).

Em 1951 lança a revista semanal Voga, que teve apenas cinco números e dois anos depois, em 1953, sua primeira peça, Uma mulher em três atos, estreia no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo (SP).
No ano seguinte, compra o imóvel que se tornaria famoso como "a cobertura do Millôr", no bairro de Ipanema, onde o escritor até hoje vive. Nasce seu filho Ivan.
Em 1955, divide com o desenhista norte-americano Saul Steinberg o primeiro lugar da Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires, Argentina. Escreve Do tamanho de um defunto, que estreia no Teatro de Bolso (Rio de Janeiro) e que depois, adaptado pelo próprio autor para o cinema, recebe o título de Ladrão em noite de chuva. Nesse ano, Millôr escreve Bonito como um deus, apresentado no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo (SP) e, ainda, Pigmaleoa e Um elefante no caos. Este último, estreia cinco anos depois (1960) no Rio de Janeiro, depois de resolvidos os problemas com a censura, e lhe rende o prêmio de Melhor autor da Comissão municipal de teatro.

Em 1956, Millôr passa a ilustrar os seus textos publicados na revista O Cruzeiro.

Em 1959, apresenta na TV Itacolomi, de Belo Horizonte (MG), a convite de Frederico Chateaubriand, uma série de programas intitulada Universidade do Méier, onde desenhava enquanto fazia comentários. Posteriormente, o programa foi transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título de Treze lições de um ignorante e suspenso por ordem do governo Juscelino Kubitschek, após uma crítica à primeira dama do país.
Em 1961 trabalha por sete dias no jornal Tribuna da Imprensa, tendo sido demitido por ter escrito um artigo sobre a corrupção na imprensa. Os editores, o poeta Mário Faustino e o jornalista Paulo Francis, pediram também demissão em solidariedade.

No ano seguinte, na edição de 10 de março de O Cruzeiro, “demite” Vão Gôgo e passa a assinar Millôr. A Amstutz & Herder Graphic Press, importante publicação de Zurique, dedica uma página de seu anuário ao autor.
De 1964 a 1974, colabora semanalmente no jornal Diário Popular, de Portugal. Em 1964, ano lança a revista Pif-Paf, considerada o início da imprensa alternativa no Brasil. Foi fechada em seu oitavo número, por problemas financeiros.

Volta à TV, em 1965, como apresentador do Jornal de Vanguarda (TV Record), ao lado de Luis Jatobá e Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta). Liberdade, liberdade musical escrito em parceria com Flávio Rangel, estreia no Teatro Opinião, no Rio.

A canção O homem composta por Millôr, é interpretada por Nara Leão no II Festival de Música Popular Brasileira, em 1966. Monta, ao ar livre, no Largo do Boticário, Rio de Janeiro, só com atores negros, sua adaptação de Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida.

Em 1968 passa a colaborar com a revista Veja e escreve o texto do show Momento 68, promovido pela empresa Rhodia, que contou com a participação de Caetano Veloso, Walmor Chagas e Lennie Dale, entre outros. No ano seguinte, participa da função do jornal O Pasquim.

Nos últimos 60 anos, o cartunista Millôr vem colaborando nos principais órgãos da imprensa brasileira; cronista, tem mais de 40 títulos publicados; dramaturgo, alcançou sucessos como Liberdade, Liberdade (em parceria com Flávio Rangel), Computa, computador, computa e É.. Artista gráfico, tem trabalhos expostos em várias galerias de arte do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Faz roteiros de filmes, programas de televisão, shows e musicais e é um dos mais solicitados tradutores de teatro do país. Irônico, polêmico, com seus textos (aforismos, epigramas, ironia, duplos sentidos e trocadilhos) e seus desenhos constrói a crônica dos costumes brasileiros desde a década de 1940.